Dos robots colaborativos à IA: Redes definidas por software para sistemas de produção inteligentes

20 de Julho, 2026

Trabalham lado a lado com os humanos, observam os nossos movimentos e realizam tarefas difíceis e perigosas com a máxima precisão: uma frota de robôs humanoides do modelo Figure 02 esteve em utilização na BMW durante dez meses. Na fábrica norte-americana de Spartanburg, estes robôs auxiliaram na produção de mais de 30.000 SUVs de gama média. A sua função era retirar diferentes chapas metálicas das prateleiras e colocá-las numa máquina de soldar. Uma tarefa que exige não só velocidade e precisão, mas também a capacidade de reagir espontaneamente a circunstâncias imprevistas. Isto deve-se ao facto de as peças terem de ser posicionadas, em apenas dois segundos, com um desvio inferior a 5 milímetros. Fácil para os humanos – mas um trabalho árduo para robôs colaborativos, ou cobots, para abreviar.

Quer se trate de soldar, fresar ou colocar peças, os cobots como o Figure 02 ajudam os colaboradores e libertam-nos de tarefas repetitivas e não ergonómicas. Onde os humanos se cansam, eles permanecem em alerta e montam, aparafusam ou colam com uma qualidade consistentemente elevada. De acordo com a empresa de análise económica ABI Research, são características como estas que irão resultar num aumento rápido das vendas anuais globais de cobots: de 970 milhões de dólares americanos em 2023, espera-se que atinjam os 7,2 mil milhões de dólares até 2030 – um aumento de 28% por ano.

O que está a impulsionar esta tendência? A segurança industrial, uma vez que estes dispositivos articulados reduzem os acidentes. O preço, porque, de acordo com os analistas de mercado da Interact Analysis, estes bens de capital inteligentes estão a tornar-se cada vez mais acessíveis. E a inteligência artificial (IA) porque estes computadores com pernas aprendem com as suas experiências. Os cobots otimizam os seus movimentos, reconhecem componentes, verificam superfícies e interagem com o ambiente que os rodeia: falam com os seus colegas humanoides, respondem a comandos e utilizam sensores para detetar autonomamente avarias ou perigos em tempo real. A IA torna tudo isto possível.

Cobots inteligentes estarão em uso comum em muitos locais dentro de cinco anos 

Estes sistemas inteligentes e automatizados tornar-se-ão a norma em muitos contextos ao longo dos próximos cinco anos. De acordo com um position paper publicado pela Federação Internacional de Robótica (IFR) em novembro de 2024, os humanos e as máquinas inteligentes estarão a trabalhar juntos com total naturalidade antes do final da década. O sucesso está, portanto, ao nosso alcance, com as tecnologias digitais a desempenharem um papel fundamental, segundo a IFR.

Da Cloud à Internet das Coisas (IoT), passando pela edge computing, a IA está a apresentar novos desafios para a infraestrutura de TI em todos os setores. Desafios que os ecossistemas rígidos já não são capazes de enfrentar. Enquanto no passado os sistemas eram concebidos para processar cargas de trabalho previsíveis de forma estável, as arquiteturas modernas devem ser tão ágeis como as próprias aplicações, modelos de negócio e sistemas da Indústria 4.0

SASE: Redes seguras a partir da Cloud 

Controlar cobots, proteger fluxos de dados e interconetar fábricas: onde o MPLS (Multiprotocol Label Switching), as firewalls e o SIEM (Security Information and Event Management) costumavam ser utilizados na indústria, o SASE está agora a estabelecer-se em muitos locais: os conceitos de Secure Access Service Edge estão a deitar abaixo os paradigmas da TI. Se anteriormente o hardware definia o que o software podia fazer, agora é o software que determina aquilo de que o hardware deve ser capaz. Funções que outrora estavam limitadas pelas capacidades de desempenho de dispositivos dedicados podem agora ser utilizadas de forma definida por software. Desde a Firewall como um Serviço (Firewall as a Service) aos corretores de segurança de acesso à Cloud (cloud access security brokers), passando pela segurança de DNS, o SASE está a transferir as funções de rede e de segurança para a Cloud. 

Quando os mundos real e virtual se conetam através da Cloud – como acontece no SASE – para se transformarem em sistemas ciberfísicos, surgem desafios particulares. Para que os cobots em rede possam controlar as suas próprias ações de forma inteligente, a conetividade deve ser disponibilizada de forma autónoma e adaptada com precisão aos requisitos da interface homem-máquina – por exemplo, em termos de largura de banda, necessidades de proteção ou latência.

Em termos concretos, isto significa que os fluxos de dados de sensores, câmaras e algoritmos que permitem aos robôs ouvir, ver e sentir devem ser transmitidos sem atrasos e de forma segura. Só assim os colegas digitais conseguirão ser tão responsivos e fiáveis quanto necessário quando trabalham diretamente com engenheiros, operários e técnicos.

Peering 4.0: Arquiteturas definidas por software para interconexão 

Conetividade autonomamente coordenada, fiável e de baixa latência para a produção do futuro – os Internet Exchanges desempenham um papel fundamental neste processo. Por um lado, unem as redes no contínuo cloud-edge e tornam os fluxos de dados controláveis. Por outro lado, uma plataforma de interconexão escalável e definível por software é a base para explorar as vantagens de arquiteturas virtualizadas, como o SASE, à escala industrial. 

A DE-CIX adapta especificamente os seus serviços de peering a estes cenários. Os padrões, as arquiteturas abertas e as interfaces são centrais para isso. Por exemplo, a operadora de Internet Exchange está a trabalhar no âmbito da iniciativa IX-API para desenvolver e otimizar interfaces de programação de aplicações (API) uniformes para a disponibilização de serviços de peering altamente automatizados. O mesmo se aplica ao projeto de financiamento Tellus que, sob a liderança da DE-CIX, está a desenvolver software de código aberto para virtualizar funções de rede. O Tellus abrange toda a cadeia de abastecimento da interconexão e inclui diferentes fornecedores, Clouds e serviços

Vantagens como estas também tornam a conetividade mais independente de fornecedores e mais interoperável: a DE-CIX está atualmente a implementar uma plataforma no projeto NEXUS que disponibiliza serviços de peering para redes baseadas na Cloud de forma autónoma e a pedido. 

SASE e cobots em utilização industrial 

Tal como os smartphones alternam perfeitamente entre células de rede móvel, no futuro, as máquinas, os sensores e os utilizadores também deverão conseguir conetar-se de forma flexível e segura a serviços Cloud – independentemente da localização ou do acesso à rede. Isto abre novas possibilidades para muitas aplicações da Indústria 4.0: em vez de encaminharem os dados centralmente através das redes tradicionais de operadores, os dispositivos conetados utilizam o ponto de acesso mais próximo de um fornecedor SASE. 

O SASE combina funções de rede como SD-WAN com serviços de segurança integrados, incluindo firewalls, controlos de acesso e conceitos de zero trust. Em vez de as políticas serem atribuídas a aplicações e portas, com o SASE, elas podem ser definidas para terminais (endpoints) e serviços individuais. Isto não só regula e protege a troca de dados, como também otimiza o tráfego para máquinas individuais, grupos inteiros de utilizadores ou localizações completas. A arquitetura padronizada simplifica as estruturas complexas de MPLS e direciona o tráfego de dados de forma inteligente, reduzindo a latência e melhorando a utilização. Uma coisa é certa: quem utiliza o SASE como uma arquitetura de sobreposição (overlay) necessita de uma infraestrutura subjacente (underlay) poderosa – especialmente para cargas de trabalho críticas. Apenas quando ambos os níveis interagem entre si de forma definida por software é que o rendimento de dados (data throughput) pode ser acelerado e os requisitos de segurança cumpridos.

Menos latência para maior valor acrescentado: a evolução no mercado dos cobots mostra o que isto pode significar para o mundo real. A produção automóvel não será o único setor a tornar-se mais inteligente, seguro, flexível e produtivo quando robôs colaborativos com IA, como o Figure 02, trabalharem lado a lado com os humanos. Mas o aumento da agilidade exige uma maior virtualização: um estudo da empresa especialista em inteligência de mercado Mordor Intelligence mostra o quão procurados estão atualmente os conceitos como o SASE, com uma previsão de crescimento superior a 20% CAGR nos próximos cinco anos, subindo para um volume de 32,6 mil milhões de dólares americanos até 2030.

Christoph Dietzel é Head of Global Products & Research na DE-CIX.

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