A DPD Portugal e a Kyndryl reforçaram a parceria que une as duas empresas, agora concretizado num acordo formal centrado na modernização dos ambientes tecnológicos de missão crítica da transportadora. Não se trata de uma relação nova, a Kyndryl já prestava serviços à DPD , mas o novo contrato representa uma evolução significativa no âmbito e na profundidade do envolvimento tecnológico entre as duas organizações.
O acordo assenta num modelo de Managed Services para ambientes híbridos, ou seja, a Kyndryl assume a gestão e operação contínua da infraestrutura tecnológica da DPD, combinando sistemas locais com capacidades de cloud privada. Esta abordagem liberta as equipas internas da DPD das tarefas operacionais do dia a dia, permitindo-lhes concentrar recursos nas áreas de maior valor estratégico para o negócio.
Do ponto de vista técnico, o projeto cobre componentes consideradas críticas para qualquer operação logística de escala: monitorização de infraestrutura, gestão de plataformas, backup e recuperação de dados, armazenamento e um modelo reforçado de disaster recovery, isto é, a capacidade de retomar operações rapidamente em caso de falha grave. Tudo isto será suportado pelas soluções de Private Cloud da Kyndryl, um ambiente de cloud dedicado e controlado, distinto das plataformas públicas partilhadas como AWS ou Azure.
Um dos eixos mais relevantes do acordo é a migração progressiva de cargas de trabalho, os chamados workloads, para a infraestrutura de cloud privada da Kyndryl, acompanhada pela adoção de práticas de Infrastructure as Code. Esta abordagem, que consiste em gerir e provisionar infraestrutura através de código em vez de processos manuais, é hoje considerada uma referência de maturidade operacional nas organizações mais avançadas tecnologicamente.
O objetivo declarado é construir uma arquitetura mais flexível, escalável e preparada para o futuro, assente em automação, standardização e governação operacional. Na prática, isto significa que a DPD pretende ter uma base tecnológica capaz de crescer e adaptar-se sem os constrangimentos associados a sistemas mais rígidos e envelhecidos.
Para uma empresa que opera no setor da distribuição e logística, onde a janela de tolerância a falhas é estreita e a pressão sobre os prazos de entrega é constante, a resiliência dos sistemas de informação não é um luxo: é uma condição de funcionamento. Qualquer perturbação nos sistemas que suportam o tracking de encomendas, a gestão de rotas ou a comunicação com parceiros e destinatários tem impacto direto na qualidade de serviço e, consequentemente, na reputação comercial da empresa.
A Kyndryl, criada em 2021 após a separação da divisão de serviços de infraestrutura da IBM, tem posicionado a sua oferta precisamente neste segmento de mercado: empresas com infraestruturas complexas e ambientes legados, nomeadamente IBM i, que precisam de modernizar sem interromper a operação. Em Portugal, a empresa tem procurado consolidar a sua presença junto de grandes organizações, e este acordo com a DPD representa mais um passo nessa direção.
O mercado português de serviços geridos de infraestrutura tem crescido de forma consistente, impulsionado pela pressão regulatória crescente em matéria de cibersegurança e continuidade de negócio, bem como pela dificuldade das empresas em manter internamente equipas especializadas em tecnologias cada vez mais complexas. Acordos como este refletem uma tendência mais ampla: as empresas optam por externalizar a gestão da infraestrutura para focar recursos próprios no desenvolvimento do negócio principal.







