Empresas revêm arquitetura de cloud para garantir controlo na adoção de IA

O novo relatório Cloud Readiness 2025 da Kyndryl mostra que a maioria das organizações está a redesenhar a estratégia de cloud para responder às exigências trazidas pela inteligência artificial, pela segurança e pela governação, após anos de decisões tomadas sem planeamento estruturado.
18 de Novembro, 2025

O Cloud Readiness 2025 revela que a cloud é hoje a base dos sistemas empresariais, mas a abordagem seguida por muitas organizações permanece marcada por escolhas pouco planeadas. O estudo indica que a computação em cloud evoluiu para um mercado de grande dimensão e que 70 por cento dos responsáveis de topo consideram ter chegado ao atual modelo por circunstâncias acidentais. Apesar desta falta de planeamento, o investimento subiu mais de 30 por cento no último ano, num contexto em que os líderes enfrentam desafios na integração de IA, reforço de segurança e cumprimento de novas regras de governação.

A Kyndryl observa que a diferença entre uma estratégia reativa e uma abordagem pensada tornou-se mais evidente com a pressão criada pela IA. A análise da empresa destaca que o acesso contínuo a dados e a evolução normativa estão a tornar o modelo híbrido um elemento que condiciona a adoção de IA em escala. As organizações que estruturam a sua cloud para permitir interoperabilidade e agilidade tendem a integrar IA com maior segurança e alcance, o que as prepara para ciclos de inovação mais regulares.

O relatório sublinha ainda que soberania e segurança estão a ganhar peso nas decisões de arquitetura. Setenta e cinco por cento dos inquiridos manifestam preocupação com riscos geopolíticos associados ao armazenamento e gestão de dados em clouds globais, enquanto 65 por cento ajustaram já estratégias devido a novas regras de soberania. Este cenário acompanha outro movimento identificado no estudo. A cloud híbrida e os modelos multi cloud tornaram-se prática comum, com 84 por cento das empresas a recorrerem a vários fornecedores e 41 por cento a deslocarem parte dos dados para infraestruturas próprias para equilibrar controlo, desempenho e requisitos de conformidade.

No campo da inteligência artificial, a Kyndryl destaca que a maioria das empresas reconhece o impacto dos investimentos em cloud no avanço da IA, mas identifica limitações. Cerca de 89 por cento afirmam que a infraestrutura criada facilitou o uso de IA, porém 35 por cento assinalam problemas de integração como a barreira mais evidente para alcançar retorno. Este contexto fortalece a procura por infraestruturas especializadas, incluindo ambientes privados orientados para cargas baseadas em GPU. O relatório conclui que a eficácia da IA depende cada vez mais de um desenho de cloud planeado, capaz de equilibrar capacidade computacional e custos.

A segurança acompanha esta transformação. O relatório indica que 82 por cento das organizações sofreram interrupções associadas a ciberataques no último ano. Perante esta realidade, as empresas reforçaram mecanismos de proteção e adotaram arquiteturas mais adaptáveis. Noventa e um por cento dos inquiridos afirmam que a sua infraestrutura permite resposta rápida a mudanças regulatórias, enquanto 75 por cento estão a investir em capacidades de IA aplicadas à cibersegurança, uma área que concentra mais recursos do que qualquer outra vertente de IA.

Estratégia e arquitetura como base das decisões futuras

O estudo destaca que a arquitetura é agora vista como elemento central no controlo operacional. As empresas que tratam a cloud como capacidade estratégica e que alinham infraestrutura, governação e gestão de dados encontram melhores condições para integrar IA com segurança, cumprir normas, gerir custos e acelerar inovação. A ascensão de modelos agentic AI reforça esta tendência. Muitas organizações treinam modelos em clouds públicas pela sua escalabilidade e executam-nos em ambientes privados para responder a exigências de governação, o que reforça o papel das arquiteturas híbridas.

Outro ponto identificado é o crescimento da importância da soberania. A localização de infraestruturas por parte de fornecedores globais e a construção de modelos que permitem mover dados entre fronteiras e operadores respondem a novas expectativas de controlo. O relatório conclui que a segurança e a soberania passaram a ser princípios de design para empresas que pretendem operacionalizar IA com confiança e interoperabilidade.

O Cloud Readiness 2025 baseia-se em inquéritos a 3700 responsáveis em 21 países, complementado por dados do Cloud Innovation Survey. Os resultados mostram que, perante os desafios colocados pela IA, pela segurança e pela governação, as organizações estão a reavaliar a forma como estruturam a sua cloud e a reposicionar esta infraestrutura como peça essencial das suas operações.