Esprinet cresce em Portugal e apresenta lucros no arranque de 2026

O grupo italiano Esprinet iniciou 2026 com crescimento de dois dígitos nas receitas e uma subida expressiva da rentabilidade operacional, num trimestre marcado pelo aumento da procura empresarial por infraestruturas digitais, cibersegurança e equipamentos preparados para Windows 11.
15 de Maio, 2026

A Esprinet encerrou o primeiro trimestre de 2026 com receitas líquidas de 1.064,7 milhões de euros, o que representa um crescimento de 11% face aos 962,4 milhões registados no mesmo período do ano anterior. O aumento da faturação foi acompanhado por uma melhoria significativa da rentabilidade operacional, com o EBITDA ajustado a crescer 44%, para 15,7 milhões de euros.

Este desempenho foi sustentado sobretudo pela atividade empresarial e pelas áreas ligadas à transformação digital, cloud e cibersegurança. A divisão V-Valley, dedicada a soluções e serviços avançados, registou um crescimento de 11%, com receitas de 237,1 milhões de euros após aplicação das normas contabilísticas IFRS 15. Esta área passou a representar 22% das vendas totais do grupo.

Na operação tradicional de distribuição tecnológica, integrada na divisão Esprinet, a empresa beneficiou do aumento da procura por computadores preparados para Windows 11 e de compras antecipadas motivadas pela expectativa de escassez de componentes de memória. As vendas da categoria Screens, que inclui PCs, tablets e smartphones, cresceram 13% no trimestre.

A unidade Zeliatech, criada em 2024 para concentrar a atividade ligada à convergência entre tecnologia digital e transição energética, registou o crescimento mais acentuado. As receitas desta divisão aumentaram 40%, atingindo 61,9 milhões de euros.

Em termos geográficos, Espanha destacou-se como o mercado com maior expansão absoluta, com receitas brutas de 441,6 milhões de euros, mais 24% do que no primeiro trimestre de 2025. Em Portugal, as vendas cresceram 14%, para 26,5 milhões de euros. Itália, principal mercado do grupo, avançou 4%, enquanto Marrocos cresceu 34%, embora partindo de uma base mais reduzida.

A procura empresarial continuou a ser o principal motor da atividade. O segmento business, que inclui revendedores e parceiros de TI, cresceu 16%, enquanto o segmento de consumo registou uma ligeira quebra de 1%.

O lucro operacional EBIT ajustado mais do que duplicou, passando de 4,7 milhões para 9,6 milhões de euros. Já o resultado líquido atingiu 2,8 milhões de euros, acima dos 500 mil euros registados nos primeiros três meses de 2025.

Apesar da melhoria operacional, a posição financeira líquida manteve-se negativa em 350,4 milhões de euros. A empresa atribui esta evolução ao aumento sazonal das necessidades de fundo de maneio no início do ano e ao impacto das aquisições concluídas no final de 2025, incluindo a integração da Vamat B.V.

Os custos operacionais permaneceram praticamente estáveis face ao ano anterior. Os custos com pessoal aumentaram 5%, refletindo atualizações salariais e a integração da empresa adquirida, enquanto os restantes custos operacionais recuaram 6%.

A administração da Esprinet reconhece que o enquadramento internacional continua marcado por elevada incerteza geopolítica e volatilidade económica, mas considera que os fundamentos estruturais do mercado tecnológico permanecem favoráveis.

A empresa identifica os ciclos de renovação tecnológica, os investimentos em inteligência artificial e o reforço das estratégias de cibersegurança como fatores de suporte ao crescimento do mercado TIC ao longo de 2026. A pressão sobre a cadeia de abastecimento de componentes de memória é também vista como um elemento que reforça o papel dos distribuidores tecnológicos na gestão da cadeia de valor.

A empresa prevê encerrar 2026 com um EBITDA ajustado entre 71 e 77 milhões de euros, acima dos 69,7 milhões registados em 2025. O grupo pretende ainda melhorar os indicadores de capital circulante e continuar a investir em digitalização, expansão europeia da atividade ligada à transição energética e desenvolvimento de serviços.

Opinião