A Snowflake, em colaboração com a empresa de análise Omdia, publicou um estudo global sobre o retorno do investimento em IA generativa e agentes automatizados. Os resultados do inquérito, realizado a mais de dois mil gestores influentes nas compras tecnológicas, revelam uma profunda transformação nos perfis profissionais das organizações. Longe de se traduzir numa simples destruição de postos de trabalho, o mercado assiste a uma reconfiguração laboral em que a inteligência artificial promove o crescimento líquido dos quadros de pessoal. De facto, 77% das organizações estão a aumentar as suas contratações, embora quase metade delas esteja a efetuar cortes simultâneos. Evidenciando uma readaptação interna das equipas em que uma ampla maioria reconhece um efeito positivo global.
Esta transformação é especialmente visível nos departamentos mais técnicos. As áreas de operações informáticas, cibersegurança e desenvolvimento de software concentram o maior crescimento do emprego decorrente da adoção tecnológica. Ao mesmo tempo, divisões como as próprias operações tecnológicas, o atendimento ao cliente e a análise de informação figuram entre as mais afetadas pela supressão de postos de trabalho. Este fenómeno dual demonstra que a automatização de certas rotinas operacionais implica uma reestruturação que é compensada pela criação de novas capacidades em áreas adjacentes. Além disso, a maturidade na implementação desempenha um papel fundamental, uma vez que as empresas que utilizam a IA em múltiplos processos experimentam um impacto muito mais positivo no emprego e na produtividade do que aquelas que se encontram em fases iniciais de implementação.
Apesar do evidente valor económico que esta tecnologia traz, capaz de gerar cerca de 1,49 dólares por cada dólar investido, a imensa maioria das empresas enfrenta sérias dificuldades para escalar as suas iniciativas. O principal obstáculo à implementação massiva da IA reside na preparação deficiente dos dados internos e não nas limitações da própria tecnologia. A quebra dos silos de informação, a medição da qualidade dos registos corporativos e a adequação geral dos dados representam problemas técnicos recorrentes para quase oito em cada dez gestores inquiridos, ficando patente que apenas uma minoria ínfima das empresas possui informação não estruturada verdadeiramente pronta para a sua utilização automatizada.
Os representantes executivos da Snowflake na região europeia destacam, neste sentido, que para cumprir regulamentações rigorosas como a Lei de Inteligência Artificial da União Europeia e alcançar uma vantagem competitiva duradoura, as empresas devem integrar estas ferramentas nas suas operações centrais, apoiando-se numa infraestrutura de dados que seja totalmente fiável.
Paralelamente à qualidade técnica da informação, o controlo corporativo surge como uma prioridade urgente. Um número alarmante de colaboradores, incluindo mais de metade da alta direção, reconhece utilizar no seu dia-a-dia ferramentas de IA não aprovadas pelas respetivas empresas. Esta situação leva os responsáveis de nível intermédio e superior a exigir maiores investimentos em software de monitorização e no estabelecimento de políticas claras de governação para garantir uma utilização segura.
Adam DeMattia, Diretor Sénior de Investigação, Omdia by Informa TechTarget, salienta: “Os dados mostram que a IA está a gerar retornos tangíveis, mas escalá-la com sucesso requer uma base de dados sólida e um quadro de governação. As organizações que consigam unificar os seus dados, melhorar a qualidade e operacionalizar a IA de forma responsável estarão melhor posicionadas para manter o ROI e os ganhos da força de trabalho. Com o seu enfoque em dados seguros e governados e na integração da IA em escala, a Snowflake está bem posicionada para ajudar as empresas a passar da experimentação para o impacto em toda a empresa”.
Contrariando certas perceções do mercado que questionavam a utilidade real dos testes-piloto, a investigação confirma que a transição da fase experimental para a produção gera um retorno sobre o investimento positivo para praticamente todos os pioneiros na sua utilização. Como reflexo desta confiança num impacto comercial mensurável, as empresas prevêem destinar no próximo ano quase um quarto dos seus orçamentos tecnológicos anuais a estas iniciativas.
A nível operacional, a sua utilização já é ativa e habitual em mais de metade das equipas de tecnologia, análise de dados, cibersegurança e desenvolvimento de software. Em contrapartida, áreas de negócio como compras, vendas ou marketing apresentam uma adoção muito mais lenta. Se analisarmos por setores de atividade, a indústria da publicidade e dos meios de comunicação lidera a integração em ambientes de produção atuais, seguida a alguma distância pelo setor da saúde, pela indústria transformadora e pelo próprio setor tecnológico.
O impacto nas rotinas de trabalho diárias é tal que, atualmente, quase metade do código de programação corporativo é gerado por meio dessas tecnologias. O uso de assistentes de programação baseados em inteligência artificial melhora significativamente a deteção e resolução de erros, bem como a qualidade geral do desenvolvimento de software. Perante esta realidade operacional, o mercado empresarial procura cada vez mais agentes de codificação, como a ferramenta Cortex Code desenvolvida pela própria Snowflake, que sejam capazes de operar alimentando-se exclusivamente de informação interna e verificada, fechando assim o círculo entre a melhoria da produtividade e uma governança de dados rigorosa.






