Europa procura escala para não perder a corrida tecnológica

Sete das maiores empresas tecnológicas europeias pediram às instituições comunitárias medidas urgentes para travar a perda de competitividade da região face aos Estados Unidos e à China.
12 de Maio, 2026

A pressão sobre as instituições europeias para rever a estratégia tecnológica da região ganhou novo peso com a intervenção conjunta de sete grandes grupos industriais e tecnológicos sediados na Europa. Airbus, ASML, Ericsson, Mistral AI, Nokia, SAP e Siemens alertam que o atual enquadramento regulatório e a fragmentação do mercado interno estão a comprometer a competitividade europeia num momento decisivo para a evolução da inteligência artificial e da conectividade avançada.

As empresas consideram que a Europa está a perder terreno perante concorrentes internacionais apoiados por políticas públicas mais agressivas e por modelos de financiamento mais rápidos. Segundo estas organizações, enquanto outras regiões já avançam para a implementação em larga escala de inteligência artificial aplicada a infraestruturas físicas e industriais, a União Europeia continua centrada em processos regulatórios que atrasam a execução tecnológica.

As empresas defendem que a próxima fase da inovação depende da integração entre capacidades digitais e sistemas industriais, uma área onde a Europa mantém competências técnicas relevantes, mas sem dimensão operacional suficiente para competir globalmente.

O peso económico das empresas envolvidas reforça a dimensão do alerta dirigido a Bruxelas. Em conjunto, estes grupos geram receitas anuais de cerca de 417 mil milhões de euros e acumulam uma capitalização bolsista próxima de um bilião de euros. As companhias sustentam ainda mais de 957 mil empregos técnicos em todo o mundo.

Além da dimensão financeira, estas organizações controlam aproximadamente 213 mil patentes globais e investem anualmente cerca de 40 mil milhões de euros em investigação e desenvolvimento. Os signatários utilizam estes indicadores para sustentar que a Europa continua a dispor de capacidade tecnológica e industrial relevante, mas que necessita de condições regulatórias e financeiras mais adequadas para transformar esse potencial em escala internacional.

No centro das reivindicações está a simplificação das regras digitais europeias. As empresas pedem que o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial decorra sem restrições consideradas desnecessárias e defendem mecanismos regulatórios mais flexíveis para a gestão e utilização de dados.

Os grupos tecnológicos argumentam que o excesso de normas sobrepostas e a fragmentação legislativa entre Estados-membros estão a limitar a velocidade da inovação europeia.

As propostas apoiam-se também nas conclusões de iniciativas recentes sobre a economia europeia, incluindo os relatórios Draghi e Letta, que apontam para a necessidade de reforçar a competitividade industrial da União Europeia. As empresas defendem que a legislação deve funcionar como instrumento de proteção ágil e não como um fator de bloqueio à investigação e ao investimento tecnológico.

No plano empresarial, os grupos pedem uma revisão das regras de concorrência para permitir processos de consolidação que facilitem o aparecimento de empresas europeias com escala global. A posição reflete uma preocupação crescente de vários setores industriais europeus relativamente à dificuldade em competir com gigantes tecnológicos norte-americanos e asiáticos.

As empresas defendem igualmente políticas públicas mais coordenadas com as estratégias nacionais para estimular o investimento privado em projetos tecnológicos considerados disruptivos. Entre os instrumentos referidos está a União de Poupanças e Investimentos, apontada como mecanismo potencial para canalizar capital para inovação tecnológica.

Os signatários defendem ainda a retenção de propriedade intelectual na Europa, o reforço da formação contínua dos profissionais tecnológicos e a eliminação de barreiras administrativas entre setores civis e militares para acelerar o desenvolvimento de tecnologias de uso dual.

A proposta inclui também a criação de um fórum permanente de cooperação entre líderes empresariais e decisores políticos. O objetivo passa por alinhar a futura legislação comunitária com as necessidades operacionais da indústria tecnológica europeia e com a realidade competitiva dos mercados internacionais.

Segundo os responsáveis destas empresas, a União Europeia necessita de uma estratégia geoeconómica mais coerente para garantir que as competências industriais e tecnológicas existentes se traduzem numa implementação efetiva da próxima geração de serviços industriais e digitais.

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