Exportações das PME portuguesas na Amazon atingem novo máximo

As pequenas e médias empresas portuguesas que vendem na Amazon fecharam 2024 com um novo máximo de exportações, impulsionado por tecnologia, logística integrada e uma presença cada vez mais forte no mercado europeu.
18 de Novembro, 2025

As pequenas e médias empresas portuguesas que vendem na Amazon fecharam 2024 com um novo máximo de exportações, impulsionado por tecnologia, logística integrada e uma presença cada vez mais forte no mercado europeu.

As PME portuguesas que utilizam a Amazon para chegar a novos mercados atravessaram 2024 com um ritmo de crescimento que confirma a maturidade do comércio digital no país. As exportações ultrapassaram os 145 milhões de euros pela primeira vez, alimentadas por mais de 3 milhões de produtos vendidos ao longo do ano. O volume representa um aumento de 20 por cento face a 2023, sinal de que as empresas nacionais estão a ganhar espaço no ecossistema global do retalho online.

Mais de 95 por cento das PME portuguesas que vendem na Amazon exportam para mais de 110 países e territórios, com a Europa a absorver a maior parte das encomendas. Espanha, França e Alemanha continuam no topo das vendas, seguidos pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.

A Amazon atribui esta evolução ao acesso a ferramentas que simplificam operações complexas, desde pagamentos e marketing digital até logística e formação especializada. A empresa defende que esta infraestrutura reduz custos de entrada no comércio internacional e permite que negócios de pequena escala comuniquem com públicos que, noutros contextos, estariam fora do alcance.

Pode ser apenas coincidência, mas não ficámos alheios ao facto do volume de vendas das PME portuguesas ser maior nos países onde a imigração portuguesa é também em maior número.

Outra tendência relevante passa pela geografia. Mais de um terço das PME portuguesas que operam na Amazon estão instaladas em áreas rurais ou de baixa densidade, e juntas somaram mais de 60 milhões de euros em vendas externas, reforçando a ideia de que a digitalização continua a esbater a distância entre centros urbanos e regiões periféricas.

O comportamento destas empresas acompanha o esforço político e económico que Portugal tem vindo a assumir no âmbito do grupo Digital 9+. Com mais de 95 por cento das PME portuguesas da Amazon envolvidas em exportações, o país destaca-se face à média da UE27, que se mantém nos 84 por cento. Este desempenho surge num contexto em que Portugal reforçou o compromisso com a integração do mercado único e a redução de barreiras à internacionalização, após a assinatura da Declaração de Lisboa.

O peso das vendas para os restantes países da União reforça esta tendência. Mais de 85 por cento das exportações das PME portuguesas na Amazon têm como destino a UE27, colocando Portugal na quinta posição entre os vendedores europeus da plataforma. Esta dinâmica replica o padrão observado nos restantes países do D9+, que apresentam maior intensidade de exportação dentro do bloco europeu.

Em 2024, a Amazon abriu uma loja personalizada para clientes portugueses na Amazon.es, concebida para aumentar a visibilidade das marcas nacionais e oferecer uma experiência mais localizada. A secção reúne produtos portugueses, coleções recomendadas por criadores de conteúdo nacionais, livros, conteúdos em português no Prime Video e uma área de marcas locais. A empresa destaca ainda histórias de PME que cresceram através da plataforma, numa tentativa de aproximar consumidores e vendedores. No entanto para a Amazon, Portugal parece ainda continuar a ser uma província de Espanha, embora se note com agrado o esforço para satisfazer os utilizadores portugueses, mas em domínio .es. Lembra o tempo em que íamos a Espanha comprar caramelos.

A Semana da Black Friday está a porta, e será um dos momentos críticos para o desempenho internacional das PME portuguesas na Amazon. Em 2024, as exportações durante o evento cresceram 29,2 por cento, superando os 7 milhões de euros, com mais de 125 mil unidades enviadas para o estrangeiro, uma subida superior a 60 por cento. Tudo aponta para que 2025 seja para as PME portuguesas mais um êxito, e a para isso a empresa de Jeff Bezos têm já à disposição um conjunto de ferramentas de preparação, desde otimização de inventário a instrumentos de análise de procura, pensados para maximizar o impacto num dos períodos de maior tráfego no comércio eletrónico.

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