Falha AWS provoca paralisação de milhares de serviços online

Uma falha nos sistemas da Amazon Web Services afetou milhões de utilizadores em todo o mundo, deixando indisponíveis algumas das aplicações mais populares e expondo a dependência global de um número reduzido de fornecedores de cloud.
20 de Outubro, 2025

A Amazon Web Services (AWS), unidade de serviços de cloud da Amazon, enfrentou esta segunda-feira uma interrupção de larga escala que afetou milhares de websites e aplicações em todo o mundo, incluindo plataformas como Snapchat, Reddit e Duolingo, além de diversos serviços empresariais e governamentais.

O incidente é considerado a maior disrupção na Internet desde o colapso provocado pela falha da CrowdStrike em 2023, que afetou sistemas tecnológicos de hospitais, bancos e aeroportos. A dimensão do impacto desta falha da AWS evidencia a vulnerabilidade da infraestrutura digital global e a dependência crescente de um pequeno número de fornecedores de cloud computing.

Após mais de seis horas de interrupções, a AWS começou a restabelecer gradualmente os serviços, embora tenha reconhecido a persistência de “erros elevados” e problemas de conectividade. Para estabilizar o sistema, a empresa introduziu limites temporários no número de pedidos processados pela sua plataforma.

Segundo a própria AWS, o problema teve origem na região US-EAST-1, localizada na Virgínia do Norte, o seu centro de dados mais antigo e de maior dimensão. Esta mesma infraestrutura já tinha registado falhas semelhantes em 2020 e 2021.

A AWS é atualmente o maior fornecedor mundial de serviços de cloud, à frente da Microsoft Azure e da Google Cloud. Os seus serviços incluem computação sob demanda, armazenamento de dados e suporte digital a empresas, governos e particulares. Quando uma falha ocorre nesta infraestrutura, as consequências propagam-se por inúmeros sites e plataformas que dependem destes serviços para operar.

Impacto global e recuperação parcial

De acordo com a empresa de monitorização Downdetector, citada pela Reuters, mais de quatro milhões de utilizadores reportaram falhas relacionadas com o incidente. Plataformas como Reddit e Roblox conseguiram estabilizar ao longo do dia, mas outras, como Snapchat e Duolingo, continuaram a registar problemas.

As próprias plataformas da Amazon, incluindo o site de comércio eletrónico, o Prime Video e a assistente virtual Alexa, sofreram interrupções, embora a gravidade tenha diminuído ao longo do dia.

Jogos online como Fortnite, Clash Royale e Clash of Clans ficaram temporariamente inacessíveis, e serviços de transporte como a Lyft também registaram falhas operacionais. A aplicação de mensagens Signal confirmou igualmente ter sido afetada, ao contrário da rede social X (anteriormente Twitter), que manteve o funcionamento normal.

Em Portugal, algumas plataformas alinhadas com as suas casas mãe como o Snapchat, Vodafone, Roblox, Perplexity, Fortenite e Reddit estão a registar problemas nos serviços, assim como a MEO. Serviços digitais de alguns bancos também apresentam algumas interrupções, mas até ao momento nada que se mostre preocupante.

No Reino Unido, instituições financeiras como o Lloyds Bank e o Bank of Scotland, bem como as operadoras Vodafone e BT, registaram perturbações nos seus serviços, tal como o portal online da autoridade fiscal britânica (HMRC).

Especialistas sublinham que o episódio ilustra os riscos de uma concentração excessiva de serviços digitais em poucos fornecedores globais. Nishanth Sastry, diretor de investigação da Universidade de Surrey, explicou à Reuters, que a dependência de uma única infraestrutura amplifica o impacto de qualquer falha técnica.

Embora não existam indícios de ciberataque, a dimensão do problema alimentou especulações sobre uma possível origem maliciosa. Rafe Pilling, diretor de inteligência de ameaças da Sophos, observou à Reuters, que a vasta e complexa rede da AWS torna qualquer falha potencialmente disruptiva a nível mundial.

A recuperação total dos serviços deverá prolongar-se durante as próximas horas, segundo as últimas atualizações da própria AWS, que continua a investigar as causas do incidente.

Opinião