A empresa portuguesa Ethiack identificou uma vulnerabilidade crítica no OpenClaw, uma plataforma open source de assistente virtual que tem vindo a ganhar popularidade na comunidade tecnológica e de inteligência artificial. A falha permitia que um atacante assumisse o controlo total do sistema da vítima com um único clique, explorando uma cadeia de vulnerabilidades agora corrigidas.
O OpenClaw destaca-se por permitir a criação de assistentes pessoais de IA acessíveis através de aplicações de mensagens, como o Telegram, com capacidade para executar tarefas diretamente no computador do utilizador. Esta abordagem, que aposta na conveniência e na automação, implica também um nível elevado de permissões, tornando a segurança um fator crítico.
A crescente adoção da ferramenta levou muitos utilizadores a instalar instâncias em servidores públicos com configurações inseguras, incluindo portas de rede abertas e interfaces de gestão expostas à internet. Este contexto aumentou a superfície de ataque e facilitou a exploração de falhas.
A vulnerabilidade foi descoberta pelo Hackian, o agente de inteligência artificial da Ethiack dedicado a testes de penetração. O sistema identificou autonomamente a falha em cerca de uma hora e quarenta minutos, após um processo que incluiu reconhecimento da aplicação, análise do código JavaScript e deteção de comportamentos anómalos nas comunicações internas.
A exploração da falha seguia um processo relativamente simples. A vítima era induzida a visitar um site controlado pelo atacante, que explorava uma vulnerabilidade no OpenClaw para capturar o token de autenticação armazenado no navegador. Com essa credencial, o atacante obtinha acesso total ao assistente e podia executar comandos remotamente no sistema da vítima, mesmo quando a aplicação estava instalada apenas localmente.
A vulnerabilidade foi classificada como Remote Code Execution (RCE), considerada a categoria mais crítica em cibersegurança, e recebeu o identificador CVE-2026-25253. Este tipo de falha permite a execução remota de código malicioso, comprometendo integralmente o dispositivo afetado.
Para a Ethiack, o caso evidencia uma mudança no equilíbrio entre desenvolvimento e segurança. A empresa defende que, num contexto em que soluções baseadas em inteligência artificial são desenvolvidas a um ritmo crescente, torna-se igualmente necessário recorrer a sistemas automatizados para testar e proteger essas mesmas soluções.
A vulnerabilidade foi reportada de forma responsável e corrigida em menos de 48 horas pelos responsáveis do OpenClaw, limitando a janela de exposição. Ainda assim, o incidente sublinha os riscos associados à implementação de ferramentas com permissões elevadas sem práticas de segurança adequadas.
Este episódio reforça a necessidade de escrutínio técnico rigoroso na adoção de plataformas de IA com acesso direto a sistemas críticos, sobretudo em ambientes empresariais, onde o impacto de uma exploração bem-sucedida pode ser significativo.







