Falha crítica no OpenClaw expõe riscos de assistentes de IA com acesso total ao sistema

Uma vulnerabilidade grave descoberta pela portuguesa Ethiack revela fragilidades num assistente de IA cada vez mais utilizado, destacando os riscos associados à adoção acelerada de ferramentas com acesso direto aos sistemas dos utilizadores.
25 de Março, 2026

A empresa portuguesa Ethiack identificou uma vulnerabilidade crítica no OpenClaw, uma plataforma open source de assistente virtual que tem vindo a ganhar popularidade na comunidade tecnológica e de inteligência artificial. A falha permitia que um atacante assumisse o controlo total do sistema da vítima com um único clique, explorando uma cadeia de vulnerabilidades agora corrigidas.

O OpenClaw destaca-se por permitir a criação de assistentes pessoais de IA acessíveis através de aplicações de mensagens, como o Telegram, com capacidade para executar tarefas diretamente no computador do utilizador. Esta abordagem, que aposta na conveniência e na automação, implica também um nível elevado de permissões, tornando a segurança um fator crítico.

A crescente adoção da ferramenta levou muitos utilizadores a instalar instâncias em servidores públicos com configurações inseguras, incluindo portas de rede abertas e interfaces de gestão expostas à internet. Este contexto aumentou a superfície de ataque e facilitou a exploração de falhas.

A vulnerabilidade foi descoberta pelo Hackian, o agente de inteligência artificial da Ethiack dedicado a testes de penetração. O sistema identificou autonomamente a falha em cerca de uma hora e quarenta minutos, após um processo que incluiu reconhecimento da aplicação, análise do código JavaScript e deteção de comportamentos anómalos nas comunicações internas.

A exploração da falha seguia um processo relativamente simples. A vítima era induzida a visitar um site controlado pelo atacante, que explorava uma vulnerabilidade no OpenClaw para capturar o token de autenticação armazenado no navegador. Com essa credencial, o atacante obtinha acesso total ao assistente e podia executar comandos remotamente no sistema da vítima, mesmo quando a aplicação estava instalada apenas localmente.

A vulnerabilidade foi classificada como Remote Code Execution (RCE), considerada a categoria mais crítica em cibersegurança, e recebeu o identificador CVE-2026-25253. Este tipo de falha permite a execução remota de código malicioso, comprometendo integralmente o dispositivo afetado.

Para a Ethiack, o caso evidencia uma mudança no equilíbrio entre desenvolvimento e segurança. A empresa defende que, num contexto em que soluções baseadas em inteligência artificial são desenvolvidas a um ritmo crescente, torna-se igualmente necessário recorrer a sistemas automatizados para testar e proteger essas mesmas soluções.

A vulnerabilidade foi reportada de forma responsável e corrigida em menos de 48 horas pelos responsáveis do OpenClaw, limitando a janela de exposição. Ainda assim, o incidente sublinha os riscos associados à implementação de ferramentas com permissões elevadas sem práticas de segurança adequadas.

Este episódio reforça a necessidade de escrutínio técnico rigoroso na adoção de plataformas de IA com acesso direto a sistemas críticos, sobretudo em ambientes empresariais, onde o impacto de uma exploração bem-sucedida pode ser significativo.

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