A Meta implementou a retirada da encriptação de ponta a ponta nas mensagens diretas do Instagram desde a passada sexta-feira, 8 de maio. Esta tecnologia de segurança, responsável por garantir que apenas o remetente e o destinatário de uma mensagem possam ler as conversas, deixou de estar operacional. Um facto que significa que a empresa norte-americana poderá aceder ao conteúdo das comunicações privadas em determinadas circunstâncias.
A empresa tecnológica justifica esta mudança argumentando que é necessária para a proteção de menores e para o combate à divulgação de material ilícito na sua rede social. No entanto, vários especialistas do setor tecnológico alertam para as consequências que esta alteração tem sobre a governança dos dados. Da empresa i3e, o seu gestor Sergio García expõe que «Se desaparecer a garantia de que apenas o remetente e o destinatário podem aceder a uma conversa, também se enfraquece a confiança do utilizador de que as suas mensagens privadas continuam a ser realmente privadas. E essa informação tem um valor comercial evidente para melhor direcionar a publicidade. A Meta pode argumentar que o utilizador aceitou as suas regras, mas isso não significa que exista uma capacidade real de negociação. Na prática, estamos a normalizar que, para utilizar determinados serviços digitais, tenhamos de ceder cada vez mais parcelas da nossa privacidade».
O desaparecimento desta barreira técnica enfraquece a confiança do público na confidencialidade das suas trocas de informação. Embora as plataformas se justifiquem com o facto de os indivíduos aceitarem as novas condições de utilização dos seus sistemas, os analistas salientam que, na prática, não existe uma verdadeira margem de negociação para o consumidor. Desta forma, está a normalizar-se a cedência progressiva da privacidade pessoal como requisito indispensável para utilizar os serviços digitais atuais.
Perante este panorama, o meio profissional exige uma postura mais firme. Os especialistas defendem que a proteção dos menores é um objetivo inegável, mas rejeitam que seja utilizada como pretexto para reduzir as garantias fundamentais da população. Por isso, instam as instituições de Bruxelas a tomarem partido e indicam que as autoridades comunitárias devem denunciar as alterações que prejudiquem os direitos digitais dos cidadãos, invocando motivos de segurança.







