FinOps: Como o routing definido por software em Internet Exchanges reduz os custos da cloud

20 de Abril, 2026

O Grupo IMARC prevê que o mercado Cloud em Portugal atinja os 10,32 mil milhões de USD até 2033, apresentando uma taxa de crescimento anual composta de 15,36% entre 2025 e 2033. O mercado é impulsionado por iniciativas governamentais agressivas de transformação digital, com fundos alocados para esforços de digitalização, rápida expansão da infraestrutura de data centers e crescente procura empresarial por soluções de cloud híbrida para equilibrar a relação custo-benefício e a segurança dos dados. O motor desta expansão, de acordo com o grupo IMARC é a necessidade de soluções de nuvem híbrida que equilibrem a agilidade da nuvem pública com a segurança e soberania de dados exigidas por setores regulados, como a banca e a saúde. Além disso, o crescente foco na integração da inteligência artificial (IA) e da infraestrutura digital sustentável está igualmente a expandir a quota de mercado dos serviços na nuvem em Portugal.

À medida que o investimento em nuvem em Portugal cresce, as organizações enfrentam o desafio de gerir custos dinâmicos e, por vezes, imprevisíveis. É neste contexto que o FinOps (Financial Operations) surge como uma disciplina essencial. Mais do que um conjunto de ferramentas de monitorização, o FinOps representa uma mudança cultural que promove a responsabilidade partilhada sobre os custos da Cloud entre as equipas de tecnologia, finanças e negócio.

De acordo com a última edição do inquérito anual da FinOps Foundation, este tema é agora mais relevante do que nunca. As empresas procuram soluções para implementar as suas cargas de trabalho de forma mais eficiente, alocar despesas internamente com maior precisão e estimá-las antecipadamente – três objetivos que estão no topo da agenda para os cerca de 1.200 participantes de grandes empresas inquiridos pela associação do setor no seu estudo de 2026. Este grupo é responsável por cerca de 83 mil milhões de dólares em orçamentos de cloud. 

Gerir, documentar e detalhar investimentos em cloud 

Minimizar despesas e maximizar receitas – o FinOps gere os investimentos e recursos de cloud de uma forma mais transparente e orientada para o valor. Não se trata apenas de operar sistemas de TI de forma tecnicamente otimizada, mas também de clarificar quem incorre em custos e em que medida. O FinOps documenta despesas complexas e variáveis, decompondo-as por equipas, departamentos e divisões. 

Visualizar, avaliar e etiquetar dados brutos de faturas: os investimentos podem ser estruturados e analisados com recurso a ferramentas de big data. As ferramentas reconhecem padrões e oportunidades para utilizar redes, armazenamento ou interfaces de programação adaptadas às necessidades próprias de cada organização. A chave aqui é a responsabilidade orçamental clara. Apenas quando programadores, equipas de plataforma e gestores financeiros trabalham em conjunto é que as despesas podem ser reduzidas – e de forma permanente. 

IA, SaaS e licenças: outros tópicos no FinOps 

Sejam containers, micro serviços ou GPUs, os fornecedores de serviços geridos disponibilizam estes recursos a qualquer momento de forma escalável e de acordo com a procura, cobrando-os com base na utilização. Os modelos de pagamento por utilização (pay-as-you-go) ligam capacidades elásticas a um consumo flexível. Ao contrário das salas de servidores internos e dos centros de dados próprios, os investimentos em serviços de cloud não podem ser amortizados ao longo de anos. Em vez disso, as despesas são dinâmicas, por vezes difíceis de planear e frequentemente imprevisíveis – por exemplo, quando ambientes de teste, clusters ou armazenamento continuam a funcionar sem que ninguém note e sem estarem a ser utilizados.

Da inteligência artificial (IA) ao software-as-a-service (SaaS), passando pelo licenciamento, outros tópicos estão a entrar cada vez mais no foco dos inquiridos pela FinOps Foundation. Olhemos para o SaaS, por exemplo: 90 por cento dos inquiridos já consideram esta tecnologia parte da sua análise de benefício económico. O mesmo se aplica à IA: 98 por cento das empresas examinam os seus investimentos em IA de forma estruturada e estratégica – um aumento face aos 63 por cento registados no ano anterior.

De acordo com o relatório State of the Cloud da Flexera mais de 30% do investimento em Cloud é desperdiçado devido à utilização ineficiente de recursos, falta de visibilidade sobre o consumo real e ausência de modelos eficazes de governação financeira. Este dado ajuda a explicar porque é que, em muitas organizações, a Cloud passou rapidamente de facilitador de inovação a fonte de preocupação orçamental.

Taxas de saída (egress fees) – os routers de software reduzem os custos da cloud

Um dos componentes mais críticos e frequentemente ignorados na fatura da Cloud são as egress fees — as taxas cobradas pelos fornecedores de Cloud pública (hyperscalers) quando os dados saem das suas redes para o exterior. Ou seja, uma espécie de imposto oculto na migração para a Cloud.

As taxas de saída são um motor de custos frequentemente negligenciado nos hyperscalers. Estas taxas ocorrem quando as empresas descarregam grandes quantidades de dados através da Internet pública. Tomemos a AWS como exemplo: de acordo com um relatório da publicação especializada alemã it-daily.net, estas taxas podem variar entre 0,05 $e 0,15$ por gigabyte. Isto significa que quem descarregar 10 terabytes por dia, por exemplo, pode esperar pagar entre 15.000 $ 45.000$ por mês em taxas – independentemente dos custos de armazenamento.

A solução para mitigar o impacto das taxas de egress reside em arquiteturas de rede inteligentes que utilizam Internet Exchanges (IXs) e serviços de interconexão privada. Eles permitem que empresas e nuvens se liguem de forma privada. Em vez de os dados serem encaminhados publicamente através de caminhos variáveis, podem ser trocados diretamente, de forma dedicada e com suporte de SLA, contornando a Internet pública. Isto torna as transferências mais rápidas, eficientes e baratas: serviços definidos por software, como o Cloud ROUTER da DE-CIX, poupam nos custos de saída. 

Quando os utilizadores pretendem mover dados entre múltiplas clouds ou de e para infraestruturas locais (on-premise) não têm de os encaminhar através dos seus próprios sistemas locais. Os utilizadores conseguem ver rapidamente onde e em que medida o tráfego é gerado, podendo controlar e externalizar cargas de trabalho de forma direcionada. Isto permite que serviços, aplicações e recursos sejam operados nos locais onde são mais económicos. Mais de 50 clouds estão ligadas à plataforma.

Arquiteturas inteligentes reduzem custos: O FinOps integra objetivos financeiros, de TI e de negócio 

Uma coisa é certa: o maior potencial de poupança reside frequentemente em decisões de arquitetura inteligentes. Os serviços de routing virtual agregam a conectividade num local central, o que simplifica as ligações. As empresas não precisam de adquirir, administrar e manter o seu próprio hardware para ligar as clouds entre si. Além disso, os serviços podem ser integrados na própria TI da empresa através de interfaces de programação e provisionados automaticamente

Uma maior competitividade graças ao controlo total de custos – quanto mais cedo as empresas implementarem as melhores práticas de FinOps, mais fácil será manterem os gastos sob controlo a longo prazo, à medida que as cargas de trabalho e os processos de negócio escalam. Aqueles que examinam os seus fluxos de dados e – quando apropriado – confiam em ligações privadas a Internet Exchanges eliminam taxas ocultas e criam eficiência operacional. 

O FinOps não é uma ação única, mas um processo contínuo. Um processo que exige não só mudanças técnicas, mas também organizacionais, que alinhem os objetivos financeiros, de TI e de negócio. O sucesso depende da forma como as empresas regulam as responsabilidades, formam as equipas e aumentam a sensibilização para os custos. Vejamos o caso do egress: de acordo com a Gartner, estas taxas representam, em média, 10 a 15 por cento do gasto total em cloud

Harald Kriener é Head of Global Customer Success Management at DE-CIX

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