A NoCode Institute anunciou um processo de reposicionamento estratégico que inclui a mudança de nome para Fledge Institute, refletindo uma ambição mais alargada na preparação de profissionais e organizações para a economia digital marcada pela crescente adoção de inteligência artificial.
Fundada há cerca de cinco anos, a organização nasceu com o objetivo de democratizar o desenvolvimento tecnológico através de ferramentas “sem código”, permitindo que pessoas sem conhecimentos de programação criassem aplicações e soluções digitais. Com a nova identidade, o Fledge Institute pretende ir além da formação em ferramentas no-code e posicionar-se como uma plataforma de capacitação, certificação e mobilização de talento para a transformação digital.
Segundo Miguel Muñoz Duarte, fundador da organização, o contexto atual alterou profundamente os desafios associados à qualificação digital. A iniciativa começou por procurar eliminar a barreira técnica da programação, mas a evolução tecnológica, em particular o impacto da inteligência artificial, ampliou a necessidade de preparar profissionais e empresas para um ambiente digital em rápida mudança.
A transformação surge num momento em que a aceleração tecnológica está a alterar o mercado de trabalho e a exigir novas competências a grande escala. Estimativas do Fórum Económico Mundial indicam que cerca de 1,1 mil milhões de pessoas terão de adquirir novas competências até 2030 para se manterem relevantes profissionalmente. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial poderá impactar mais de 40% das funções existentes.
Apesar do avanço das tecnologias digitais, muitas organizações continuam a enfrentar dificuldades na adaptação a este novo contexto. Particularmente nas pequenas e médias empresas, permanece um desfasamento entre o potencial das tecnologias digitais e as competências disponíveis nas equipas, fenómeno frequentemente descrito como “AI & Digital Gap”. Este desfasamento cria obstáculos à adoção efetiva de ferramentas digitais e à concretização de projetos de transformação tecnológica.
Este novo posicionamento do Fledge Institute centra-se na preparação de profissionais não técnicos para assumirem um papel ativo na transformação digital das organizações. A abordagem procura incluir participantes com diferentes níveis de experiência e origens profissionais, apostando numa formação orientada para a aplicação prática.
O modelo da instituição passa a assentar em três áreas principais: programas de requalificação e atualização de competências digitais e de inteligência artificial sem necessidade de programação, certificação profissional com reconhecimento nacional e internacional e ligação direta entre talento qualificado e necessidades das organizações.
Entre as novas iniciativas destaca-se o programa AI Foundations, um percurso intensivo de 12 semanas focado na literacia e experimentação em inteligência artificial, através de exercícios práticos e aplicação a casos concretos.
Desde a sua criação, a organização já envolveu mais de 10 mil participantes em programas de formação, certificou centenas de profissionais e colaborou em diversos projetos de transformação digital em empresas. Estes números, segundo a instituição, evidenciam a procura crescente por modelos de formação tecnológica mais acessíveis e orientados para resultados práticos.







