Fujitsu defende transformação contínua para uma era imprevisível

O Fujitsu Technology and Service Vision 2026 coloca a inteligência artificial, a convergência tecnológica e a capacidade de adaptação permanente no centro da competitividade empresarial, num contexto marcado por volatilidade geopolítica, pressão sobre recursos e mudança acelerada dos modelos de negócio.
23 de Junho, 2026

A Fujitsu publicou, a 18 de junho, o relatório Fujitsu Technology and Service Vision 2026, no qual apresenta uma visão sobre a forma como as organizações podem responder a um ambiente económico e tecnológico cada vez mais instável. Num mundo em que a incerteza deixou de ser exceção, a transformação empresarial não pode continuar a ser tratada como um projeto com princípio e fim.

O relatório parte de um diagnóstico que muitas empresas já reconhecem no terreno. As tensões geopolíticas, a reconfiguração das cadeias de fornecimento, as limitações de energia e recursos e a rápida evolução da inteligência artificial estão a obrigar governos e organizações a decidir mais depressa e com menos margem para erro. Ao mesmo tempo, a IA está a alterar modelos de negócio, formas de trabalhar e até a estrutura interna das organizações.

Para a Fujitsu, os modelos empresariais tradicionais estão a perder capacidade de resposta perante um contexto de mudança permanente. A questão já não é apenas reagir a acontecimentos pontuais, mas criar organizações capazes de aprender, ajustar e evoluir de forma contínua.

É neste quadro que surge o conceito de transformação dinâmica. A Fujitsu descreve-o como um ciclo permanente de formulação de hipóteses, experimentação, aprendizagem e adaptação. Na prática, significa que as empresas devem ser capazes de testar novas abordagens, retirar conclusões dos resultados e rever estratégias, processos e modelos operacionais de forma constante.

Esta leitura aproxima a transformação digital de uma lógica mais exigente. Já não basta modernizar sistemas, migrar aplicações ou introduzir ferramentas de IA em áreas isoladas. O desafio passa por integrar tecnologia, pessoas, processos e gestão numa mesma lógica de mudança. A transformação dinâmica exige que a inteligência artificial e outras tecnologias emergentes funcionem como parte de um sistema coerente, e não como iniciativas dispersas dentro da organização.

O relatório identifica quatro dinâmicas tecnológicas que, quando interligadas, podem apoiar organizações mais preparadas para transformar-se de forma contínua. Embora o documento destaque a importância destas dinâmicas, o ponto mais relevante está na sua articulação: a tecnologia deve permitir que as empresas se adaptem às alterações globais e criem valor de forma recorrente.

A inteligência artificial ocupa aqui um papel central. Não apenas como ferramenta de automatização, mas como elemento capaz de influenciar decisões, acelerar processos, melhorar a capacidade de análise e apoiar novas formas de colaboração entre pessoas e sistemas inteligentes. Esta colaboração entre humanos e IA é apresentada como uma das bases para responder a ambientes de maior complexidade.

A Fujitsu associa esta visão à sua própria estratégia de longo prazo. Em 2035, ano em que assinalará o seu centenário, a empresa pretende continuar a desenvolver a transformação baseada em IA e reforçar as suas tecnologias avançadas, em linha com a sua Management Vision 2035. A proposta de valor apresentada combina consultoria, tecnologia, serviços e modernização, com o objetivo de apoiar clientes em processos de transformação e contribuir para a resposta a desafios sociais e económicos.

A dimensão organizacional é igualmente sublinhada. Segundo a empresa, a transformação dinâmica depende de vários fatores: uma estratégia empresarial que coloque a IA no centro do negócio, equipas capazes de tirar partido da tecnologia em diferentes áreas, infraestruturas tecnológicas preparadas para acelerar a evolução empresarial e medidas de segurança ajustadas aos riscos que a própria evolução da IA poderá criar.

O relatório sugere que a competitividade futura dependerá menos da capacidade de executar uma mudança isolada e mais da capacidade de manter a organização em evolução permanente. Para os decisores tecnológicos, esta mensagem tem uma leitura prática: a modernização deixa de ser apenas uma agenda de eficiência e passa a ser uma condição de resiliência.

A Fujitsu afirma que pretende trabalhar com os seus clientes neste percurso, recorrendo às suas tecnologias e à experiência acumulada na transformação do seu próprio negócio. Num mercado em que a IA se tornou prioridade estratégica, a visão apresentada pela empresa aponta para uma mudança de fundo: a tecnologia passa a ser menos um suporte operacional e mais um mecanismo contínuo de adaptação empresarial.

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