O recente relatório “2026 Exposure Gap Report”, publicado pela empresa de cibersegurança Check Point Software Technologies, revela uma falha crítica na gestão defensiva das organizações. A investigação indica que, embora a grande maioria das entidades identifique, valide e estabeleça eficazmente prioridades entre as suas falhas de segurança, o processo de transformar essas conclusões em correções efetivas continua a sofrer atrasos consideráveis.
O estudo quantifica esta demora através da comparação dos tempos de reação de diferentes setores perante ameaças confirmadas. As organizações do setor da saúde mantêm as vulnerabilidades por corrigir durante quase 158 horas, o equivalente a mais de seis dias de exposição após a confirmação da gravidade do risco. Em sentido contrário, o relatório destaca que o setor dos serviços de utilidade pública consegue resolver as vulnerabilidades num período médio de 12,6 horas.
Os dados recolhidos demonstram que o sucesso na mitigação dos riscos depende da existência de um fluxo de trabalho estruturado, e não do volume de alertas gerido pelos departamentos de tecnologias de informação. Um exemplo desta dinâmica encontra-se no setor dos serviços financeiros, que conseguiu implementar 91,7% das correções de segurança recomendadas, apesar de lidar com grandes volumes de informação.
A análise detalha que uma parte significativa dos atrasos resulta dos processos manuais que antecedem a aplicação da solução técnica. Tarefas como confirmar a propriedade de um ativo empresarial, validar o impacto real nos sistemas ou decidir a ordem de intervenção constituem os principais fatores que limitam a rapidez da resposta.
Os especialistas da empresa responsável pelo relatório explicam que o verdadeiro desafio está na capacidade de passar rapidamente da deteção à ação, uma vez que identificar as falhas representa apenas o primeiro passo. De acordo com o documento, um fluxo de trabalho fragmentado prolonga o período de exposição a potenciais ataques, enquanto uma gestão verdadeiramente integrada pode reduzir, em poucas horas, a janela de oportunidade disponível para os cibercriminosos.
Para superar estes obstáculos operacionais, a investigação sublinha o papel da Validação Agêntica da Exposição, conhecida pela sigla inglesa AEV. Esta tecnologia delimita automaticamente as ameaças, permitindo que os técnicos concentrem os seus esforços apenas nos riscos que podem ser efetivamente explorados.
Com base nestas conclusões, o relatório recomenda que as empresas adotem processos de validação contínua, estabeleçam prioridades de acordo com o contexto e unifiquem os fluxos de trabalho entre as diferentes equipas. Esta estratégia implica confirmar a viabilidade das ameaças no ambiente real, clarificar a responsabilidade sobre os ativos para evitar a acumulação de alertas pendentes e ligar as equipas de segurança às áreas de operações, de forma a medir e verificar continuamente o encerramento das exposições.







