Quem mais, quem menos, quase todos temos algum aparelho eletrónico guardado numa gaveta, em alguns casos um computador antigo, seja ele um computador de secretária ou um portátil. Apesar de ser antigo, um computador ainda pode ser útil para tarefas pouco exigentes, como navegar na Internet, escrever ou reproduzir música, mas deve ser equipado com o software adequado; não esperemos poder trabalhar com o Windows 11 numa máquina com uma década…
O problema é que se utilizarmos um sistema operativo contemporâneo ou anterior ao computador, este já há muito que não receberá atualizações de segurança, pelo que teremos de recorrer a algo novo, mas leve. Existem inúmeras distribuições de GNU/Linux que cumprem essa funcionalidade, mas, em geral, exigem do utilizador alguns conhecimentos técnicos para as colocar em funcionamento, ou o pedido ao amigo/vizinho especialista em informática de serviço e, depois, uma adaptação à sua interface gráfica, normalmente bastante espartana e distante do que é o Windows.
Uma solução alternativa é o ChromeOS Flex, uma versão oficial e suportada pela Google do ChromeOS concebida, precisamente, para dar nova vida a computadores antigos, graças à inclusão de um subconjunto das funcionalidades do ChromeOS que a empresa de Mountain View instala nos Chromebooks, uma vez que, por exemplo, não tem a capacidade de executar aplicações Android, além de outras diferenças significativas.
Apesar de o Google ter dotado o ChromeOS Flex de um sistema fácil de descarregar e instalar, continua a ser suficientemente complicado para não chegar a toda a gente. E foi isso que a Back Market, o mercado de equipamentos eletrónicos recondicionados, aproveitou para lançar, em conjunto com a multinacional do motor de busca, uma iniciativa que consiste na venda, a baixo custo, de pen drives preparados para instalar o ChromeOS Flex em portáteis antigos.
Basta desligar o computador, ligar a pen USB e reiniciar a máquina a partir da unidade USB, para iniciar um processo de instalação muito fácil que, no entanto, apaga tudo o que está no disco rígido para o deixar completamente limpo e sem nada, de modo a instalar o sistema operativo da Google.
Em termos de funcionamento, esta plataforma de software é muito semelhante ao ChromeOS de um Chromebook, com as diferenças funcionais indicadas, mas com uma interface gráfica idêntica que, além disso, é semelhante à do Windows 10/11. O seu funcionamento proporciona uma experiência moderna baseada na web que transfere grande parte da carga de processamento, das atualizações e das barreiras de segurança para servidores remotos, permitindo que o hardware mantenha a sua utilidade para tarefas quotidianas.
Este programa piloto conjunto constitui um acordo inicial e de alcance limitado, concebido para avaliar como tornar mais acessível a extensão da vida útil dos dispositivos para o mercado profissional e doméstico.
Os responsáveis de ambas as empresas destacaram o valor estratégico desta colaboração; assim, a direção executiva da Back Market salienta que o prolongamento do ciclo de vida da tecnologia atual é uma das vias mais imediatas para combater o problema dos resíduos eletrónicos, o que demonstra que a inovação tecnológica não requer necessariamente uma substituição constante do parque informático, mas sim a otimização dos recursos já disponíveis.
A geração mundial de resíduos eletrónicos ultrapassou os 62 milhões de toneladas métricas durante o ano de 2022, um número que cresce a um ritmo cinco vezes superior ao da sua reciclagem, de acordo com os dados do Instituto das Nações Unidas para a Formação Profissional e Investigação. Grande parte deste volume é gerado quando os sistemas operativos mais utilizados deixam de oferecer suporte técnico para modelos de computadores antigos, uma situação que obriga muitos consumidores e responsáveis pelas compras e infraestruturas a tomar decisões de renovação motivadas quase exclusivamente pelos calendários de atualização do software, apesar de os componentes físicos dos equipamentos continuarem a funcionar corretamente e não necessitarem de uma substituição efetiva, o que aumenta a pressão sobre as cadeias de abastecimento e a utilização de recursos estratégicos.
Por seu lado, a direção da Google sublinha que esta iniciativa partilhada proporciona aos utilizadores, às escolas e às pequenas e médias empresas uma ferramenta sustentável para recuperar o controlo do seu orçamento e dos seus equipamentos, evitando o desperdício desnecessário de milhões de máquinas que ainda são totalmente viáveis ao nível dos componentes.
O paradigma informático está a passar por uma profunda transformação para modelos em que a inteligência artificial, as aplicações e a segurança residem cada vez mais em servidores externos, apesar de também poderem fazê-lo localmente. Esta transição para a nuvem permite que máquinas antigas continuem a funcionar de forma segura e eficiente, uma vez que o desempenho de um dispositivo deixou de depender exclusivamente dos componentes físicos que integrava no momento da sua fabricação.







