Google volta ao gás natural para alimentar Data Centres

Gigante tecnológica apoia central a gás com tecnologia de captura e armazenamento de carbono para suprir consumo crescente impulsionado pela inteligência artificial. Projeto reacende debate sobre dependência de combustíveis fósseis e custo da descarbonização digital.
28 de Outubro, 2025

A Google vai apoiar a construção de uma nova central elétrica a gás natural no estado de Illinois, nos Estados Unidos, com o objetivo de garantir fornecimento energético estável para os seus data centers. A unidade, designada Broadwing Energy Center, terá 400 megawatts de capacidade instalada e estará equipada com tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla inglesa), com previsão de entrada em funcionamento em 2030.

A central a gás fornecerá a maior parte da eletricidade contratada pela Google para os seus centros de dados mais exigentes. A empresa considera o projeto uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento de soluções de captura de carbono, ao mesmo tempo que testa o seu potencial em ambiente real. O dióxido de carbono capturado será armazenado em poços profundos, a mais de mil metros de profundidade, localizados nas imediações da central, evitando a sua utilização em processos de recuperação de petróleo — uma prática comum noutras aplicações da tecnologia.

Apesar da promessa de capturar até 90% das emissões de CO₂ da central, a iniciativa tem gerado controvérsia. O projeto surge num momento em que se intensificam os apelos para a transição completa para fontes renováveis e o abandono de combustíveis fósseis. A utilização de gás natural, ainda que com mitigação parcial das emissões, levanta dúvidas quanto ao real compromisso com a descarbonização do setor tecnológico.

A tecnologia CCS é considerada por parte da indústria uma solução de transição, mas continua envolta em dúvidas quanto à sua viabilidade económica e eficácia. Um relatório do Government Accountability Office, dos EUA, revelou que apenas um dos seis projetos de captura de carbono apoiados pelo Departamento de Energia entrou efetivamente em operação, tendo sido posteriormente encerrado por inviabilidade financeira.

O custo da energia produzida com recurso a sistemas de CCS pode duplicar face às fontes renováveis, como solar e eólica, de acordo com um estudo australiano de 2023. Ainda assim, a conjuntura política norte-americana tem favorecido este tipo de investimentos, sobretudo após o regresso de Donald Trump à presidência e a consequente reorientação dos apoios federais para projetos fósseis com captura de carbono. Em paralelo, os subsídios a parques solares e eólicos têm vindo a ser reduzidos.

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