Governo português quer travar burocracia digital

A iniciativa surge num contexto em que a burocracia digital tem sido uma barreira significativa para a eficiência estatal, afetando a competitividade do país
17 de Julho, 2024

Num movimento para combater a crescente burocracia digital nos serviços públicos, o governo português, liderado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, revelou um conjunto de 15 medidas que considera essenciais para este combate. O conselho de ministros de ontem, que ocorreu no Instituto de Desenvolvimento de Novas Tecnologias da Universidade Nova, em Almada, o foco foi a transição digital e a modernização administrativa.

O reunião foi marcada por uma tentativa do executivo de responder às críticas sobre a ineficácia da máquina estatal, que, paradoxalmente, viu um aumento na complexidade com a digitalização de processos. “Em muitas das áreas em que se procurou simplificar, tivemos afinal maiores dificuldades de acesso,” admitiu o primeiro-ministro. A sua administração agora promete uma maior interconexão entre os diferentes departamentos governamentais e a simplificação de procedimentos que afetam tanto os cidadãos quanto empresas.

Um dos principais objetivos é garantir que todos, independentemente do seu nível de competência digital, possam interagir eficientemente com os serviços públicos. A nova estratégia procura, portanto, não apenas simplificar processos existentes mas também oferecer apoio direcionado aos que enfrentam maiores desafios na era digital.

A iniciativa surge num contexto em que a burocracia digital tem sido uma barreira significativa para a eficiência estatal, afetando a competitividade do país. Montenegro e a ministra da Juventude e da Modernização, Margarida Balseiro Lopes, que será responsável por detalhar e implementar as medidas, também antecipam críticas do espetro político-partidário.

Alguns opositores já expressaram ceticismo, sugerindo que as medidas anunciadas não são novas ou que a sua implementação pode falhar. “Mas, para todos os efeitos, o que foi anunciado e não foi feito não existe,” contra-argumentou o primeiro-ministro, destacando a importância de resultados tangíveis e não apenas de promessas.

Com informações Lusa

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