Governo vai criar linha de denúncia e apoio a alunos vítimas de bullying

O Governo anunciou a criação da Linha Nacional de Apoio aos Alunos, uma iniciativa destinada a denunciar casos de bullying e cyberbullying de forma anónima e confidencial nas escolas públicas e privadas de todo o país.
25 de Fevereiro, 2025

Esta medida surge na sequência de um inquérito nacional a 31.133 alunos, entre os 11 e os 18 anos, que revelou que cerca de 5,9% já sofreram bullying, com as raparigas a assumirem predominantemente o papel de vítimas e os rapazes o de agressores.

A linha estará disponível através de uma aplicação móvel, um website e via telefone, permitindo às vítimas obterem apoio imediato e encaminhamento adequado para os Gabinetes de Apoio ao Aluno nas escolas. Este canal visa responder à elevada taxa de casos não denunciados devido ao medo de represálias, à falta de confiança na eficácia das instituições e ao desconhecimento dos canais de ajuda existentes.

Contudo, especialistas alertam que a criação deste canal isolado não resolverá por si só o problema estrutural do bullying. O psicólogo Pedro Fernandes, especialista em comportamento juvenil, refere que “a medida é positiva e necessária, mas pode revelar-se insuficiente se não for integrada numa abordagem mais ampla e profunda, envolvendo formação contínua de professores e funcionários, programas de prevenção e estratégias de intervenção precoce dentro das escolas.”

Segundo o relatório apresentado pelo Grupo de Trabalho de Combate ao Bullying nas Escolas, o fenómeno do cyberbullying é especialmente preocupante devido à digitalização crescente das interações sociais, transformando esta forma de violência numa ameaça permanente e sem fronteiras físicas ou temporais.

O documento recomenda ainda a implementação de um Programa Nacional de Prevenção e Combate ao Bullying e ao Cyberbullying, criação de equipas multidisciplinares dentro das escolas, reforço da formação de docentes e funcionários e desenvolvimento de programas de competências socioemocionais destinados a alunos vítimas, agressores e testemunhas.

Especialistas em educação e psicologia infantil salientam que combater eficazmente o bullying exige uma estratégia integrada que envolva escolas, famílias e comunidades, sendo essencial para proteger os direitos das crianças e jovens e assegurar ambientes educativos seguros e inclusivos.

Assim, enquanto o lançamento desta linha representa um passo significativo, fica claro que o sucesso dependerá da capacidade do Governo e das escolas em implementar as restantes recomendações, garantindo que esta iniciativa não se torne apenas numa medida simbólica sem impacto real na vida dos estudantes.

Opinião