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Antigo secretário de Estado da Justiça, Pedro Tavares explicou como a experiência no setor público o levou a criar uma plataforma focada em “data-driven decision making”, combinando inteligência artificial, análise regulatória e monitorização de tendências para ajudar organizações a reagirem mais cedo a riscos económicos, regulatórios ou geopolíticos.
“A maior fragilidade das organizações é chegarem tarde”, resumiu o responsável, apontando exemplos como o RGPD, o NIS2, o DORA ou mesmo fenómenos como pandemias e ruturas económicas. A proposta da GovHorizon passa por identificar sinais fracos antes de estes se transformarem em problemas concretos.
A plataforma processa diariamente mais de 150 mil fontes de informação, desde legislação europeia em fase de proposta até patentes, notícias, investigação académica e indicadores económicos. O objetivo, garante a empresa, não é criar mais ruído informacional, mas filtrar contexto relevante para setores específicos como saúde, energia, telecomunicações, defesa ou financeiro.
Pedro Tavares sublinhou que a inteligência artificial funciona como suporte à decisão e não como substituto do decisor humano. A plataforma utiliza agentes de IA para automatizar análises e gerar recomendações acionáveis, mas mantém várias camadas de validação humana e curadoria de fontes para reduzir riscos de desinformação, especialmente em áreas críticas como defesa ou saúde.
Outro dos temas centrais da conversa foi o posicionamento europeu da startup. A GovHorizon assume-se como uma plataforma desenvolvida na Europa e alinhada com os princípios do AI Act europeu. Segundo o CEO, esse enquadramento está a tornar-se um fator competitivo junto de clientes preocupados com soberania tecnológica, compliance e ética no uso de IA.
Lançada oficialmente em setembro, a startup já assegurou financiamento inicial de 290 mil euros e prepara uma nova ronda para acelerar a internacionalização. Bélgica, Países Baixos e França são atualmente os mercados prioritários, sobretudo pela proximidade às instituições europeias e aos centros de decisão regulatória. O Brasil surge também no radar, embora com uma abordagem gradual e adaptada às especificidades locais.
Além da expansão internacional, a empresa está a reforçar equipas em áreas como inteligência artificial, segurança e desenvolvimento de negócio. Pedro Tavares defende que o perfil procurado vai além das competências técnicas: “Hoje não basta escrever código. É preciso perceber o impacto que aquele código terá no cliente e no negócio.”







