A Hi Human tem vindo a construir a sua proposta de valor em torno de um princípio simples: aplicar Inteligência Artificial a setores onde a gestão de informação, operações e stock ainda depende, em larga medida, de processos manuais. É com base nessa estratégia de especialização setorial que a empresa portuguesa se prepara agora para dar o salto internacional, com o mercado europeu como primeiro destino e o desenvolvimento de parcerias locais como via de entrada. Para acompanhar este crescimento, a Hi Human pretende também reforçar a sua equipa e aprofundar a especialização em áreas com fluxos operacionais complexos, dos quais a música e a indústria são os exemplos já em desenvolvimento.
Segundo Paulo Ribeiro, cofundador da empresa, a Inteligência Artificial só gera valor real quando deixa de ser um conceito abstrato e passa a resolver problemas concretos das organizações. O objetivo da Hi Human é aplicar a tecnologia a processos críticos ainda dependentes de trabalho manual, permitindo às equipas ganhar tempo, reduzir erros e decidir com base em informação mais estruturada.
O primeiro terreno onde esta abordagem foi testada foi o da música. No dia-a-dia das editoras discográficas, a gestão de informação sobre novos lançamentos costuma chegar por múltiplos emails, muitas vezes com dados incompletos ou dispersos. Isso obriga as equipas a validar manualmente cada informação, confirmar os direitos de venda por território e organizar os conteúdos antes de conseguirem montar o catálogo.
Foi para responder a este problema que a Hi Human desenvolveu uma solução em que a Inteligência Artificial lê os emails recebidos, valida os dados disponíveis, identifica o que está em falta e estrutura automaticamente o catálogo musical. A revisão final continua a caber a uma equipa humana, que mantém controlo total sobre a informação antes de os novos lançamentos chegarem ao mercado. A automatização deste processo permite que os lançamentos cheguem aos clientes mais depressa do que através dos métodos tradicionais.
Para além da criação de catálogos, a tecnologia permite ainda automatizar o registo e a atualização de stock, processando dezenas de faixas ou referências em simultâneo, o que reduz tarefas manuais e acelera a gestão operacional. Foi esta solução que a Hi Human aplicou no seu primeiro projeto internacional, desenvolvido com uma empresa do setor da música confrontada com elevado volume de informação, múltiplos lançamentos e processos exigentes, e que resultou na redução de cerca de 70% no tempo necessário para criar e atualizar catálogos.
A mesma lógica de especialização setorial está agora a ser replicada no setor industrial, através de uma solução de Value Stream Mapping (VSM), metodologia utilizada para mapear o fluxo de produção de uma fábrica e identificar onde se perde tempo, stock e capital ao longo do processo produtivo.
Hoje, construir um VSM é uma tarefa manual que pode demorar entre dois a cinco dias por produto, normalmente feita em Excel, em Visio ou através de consultoria especializada em lean manufacturing, com custos elevados e o risco de os dados ficarem desatualizados poucas semanas depois. A solução da Hi Human, já em fase de comercialização, integra-se com o ERP do cliente e gera o diagrama completo do fluxo de produção em poucos segundos, com dados reais e permanentemente atualizados. Uma única pesquisa reúne informação sobre materiais, operações, máquinas, tempos de ciclo, custos por peça, stocks e tempos de espera de todo o processo.
Paulo Ribeiro explica que esta tecnologia foi pensada para empresas industriais com processos produtivos mais longos e complexos, que envolvem diferentes materiais, fornecedores e etapas, como acontece nos setores do metal, têxtil ou de componentes. Com esta visibilidade imediata, as organizações passam a identificar constrangimentos na produção, a perceber onde há stock parado e capital empatado, a analisar o custo real de cada peça e a comparar o tempo de trabalho efetivo com o tempo total que o produto demora a atravessar a fábrica. Resolve-se, assim, um desafio comum na gestão industrial: o acesso, em tempo real, a informação sobre os próprios processos produtivos.
Depois deste primeiro projeto internacional na indústria da música, a Hi Human quer agora consolidar a estratégia de especialização setorial que definiu, aplicando Inteligência Artificial a processos empresariais complexos onde a automação reduz tarefas manuais sem retirar controlo às equipas humanas.







