HP quer transformar a gestão de TI numa operação preditiva

No HP Imagine 2026, a HP apresentou uma nova fase da Workforce Experience Platform (WXP), apostando em automação orientada por inteligência artificial, análise contextual e integração operacional para responder à crescente complexidade dos ambientes digitais empresariais.
18 de Maio, 2026

A HP anunciou no HP Imagine 2026 um conjunto de novas capacidades para a Workforce Experience Platform (WXP), reforçando a aposta da empresa na automação de operações de TI através de inteligência artificial e análise contínua de dados. O objetivo passa por permitir às equipas técnicas identificar sinais precoces de degradação, prever incidentes e automatizar processos de correção antes que os problemas afetem utilizadores e produtividade.

A evolução surge num contexto em que os ambientes digitais empresariais se tornaram significativamente mais exigentes. A proliferação de aplicações com componentes de inteligência artificial, o aumento das necessidades de processamento e memória e a dispersão geográfica das equipas criaram novos pontos de pressão para os departamentos de TI. A HP procura responder a esse cenário com uma abordagem mais orientada por dados e menos dependente de intervenção manual constante.

Um dos exemplos destacados pela empresa prende-se com a gestão de memória nos equipamentos utilizados pelas organizações. Segundo a HP, a variabilidade crescente nos requisitos de recursos obriga as equipas de TI a compreender de forma mais granular onde existem constrangimentos de desempenho e quais os investimentos que podem gerar impactam efetivo na experiência dos colaboradores. A plataforma passa agora a identificar padrões de pressão sobre os dispositivos e a recomendar intervenções específicas, incluindo upgrades ou alterações de configuração.

A componente mais estratégica da atualização da WXP está, contudo, na automação de remediação. A plataforma associa agora alertas técnicos a percursos de resolução gerados por IA, permitindo automatizar tarefas repetitivas e acelerar a resposta a incidentes. A HP afirma que os sinais contextuais e os resultados históricos melhoram a precisão das recomendações, reduzindo o número de passos manuais necessários para resolver problemas recorrentes.

A integração com o Workflow Builder reforça essa lógica. A ferramenta permite criar respostas automáticas acionadas por alertas, eventos ou agendamentos, desde limpezas automáticas de memória até imposição de configurações base em dispositivos corporativos. A intenção é transformar operações tradicionalmente reativas em processos preventivos e resilientes. Para muitas organizações, esta abordagem poderá representar uma tentativa de consolidar funcionalidades que atualmente obrigam à utilização de múltiplas plataformas distintas.

Outro dos eixos apresentados pela HP passa pela comunicação com os colaboradores. A empresa introduziu notificações Pulse para Microsoft Teams, procurando aproximar a operação de TI dos canais já utilizados diariamente pelos utilizadores. A lógica subjacente reflete uma mudança mais ampla no posicionamento das equipas tecnológicas dentro das organizações. A HP enquadra as TI não apenas como uma função de suporte técnico, mas como parte integrante da experiência dos colaboradores e da produtividade das empresas.

A estratégia inclui também uma expansão dos serviços associados ao ecossistema Poly. O novo serviço Poly+ Analyze passa a disponibilizar suporte prioritário 24×7 para dispositivos HP Poly, substituição antecipada de componentes e funcionalidades adicionais no software Poly Lens Pro for Rooms. A proposta centra-se sobretudo na monitorização e gestão remota de salas de reunião e equipamentos de colaboração.

Quando integrado com o Poly Lens Pro for Rooms, o serviço oferece visibilidade operacional sobre ambientes de colaboração, permitindo às equipas técnicas diagnosticar problemas remotamente e priorizar intervenções antes que impactem reuniões ou operações críticas. A HP prevê ainda serviços complementares que podem assumir parte significativa da gestão operacional, incluindo equipas no local e acesso remoto especializado.

A apresentação destas capacidades mostra uma HP cada vez mais focada em software, automação e serviços geridos, num mercado onde o hardware deixou há muito de ser o único elemento diferenciador. A empresa tenta responder a uma realidade em que os decisores tecnológicos procuram reduzir complexidade operacional sem comprometer desempenho, segurança ou experiência do utilizador final. O desafio será demonstrar até que ponto estas plataformas conseguem efetivamente substituir processos manuais e reduzir custos operacionais num cenário empresarial cada vez mais fragmentado e distribuído.

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