HP traça o futuro do trabalho com IA e segurança quântica em pleno cenário de incerteza comercial

A HP quer que o trabalho deixe de parecer trabalho. E para isso, está a apostar num ecossistema de hardware, software e serviços com IA no centro da equação.
10 de Abril, 2025

Enquanto o mundo empresarial digere os efeitos das taxas Trump e a instabilidade comercial entre os EUA e parceiros estratégicos, a HP aproveitou a sua conferência anual de parceiros, Amplify, para fazer exatamente o contrário: olhar em frente. Em Nashville, a gigante tecnológica norte-americana apresentou um portefólio ambicioso que visa responder às novas exigências do mercado.

A gigante americana estreou mais de 80 novos PC na sua linha empresarial e de consumo, incluindo os renovados EliteBooks, EliteDesks e a série OmniBook, agora todos com capacidades de IA integradas. A empresa afirma ter, neste momento, “o maior portefólio de PC com IA do mundo”. Uma ambição respaldada por especificações como NPUs com até 50 TOPS de processamento, ganhos de eficiência energética acima dos 200% e tempos de resposta acelerados até 43 vezes, tudo em comparação com os modelos anteriores.

O novo EliteStudio 8 AiO, por exemplo, é uma solução all-in-one com ligação KVM integrada, permitindo que os trabalhadores móveis utilizem os mesmos periféricos ao ligar o portátil com apenas um cabo. Já a gama OmniBook cobre desde criadores profissionais até estudantes, com modelos flexíveis, processadores de última geração da Intel e AMD, e designs pensados para produtividade e criatividade.

Mas o hardware é apenas uma parte da equação. O HP AI Companion, um assistente local de IA, promete respostas rápidas e seguras sem necessidade de conexão à Internet, com novos comandos de voz e proteções contra keyloggers a caminho. O HP Go, por sua vez, oferece conectividade 5G multioperadora sem contacto, um passo que posiciona a HP como pioneira em PC com IA verdadeiramente móveis.

Numa jogada que combina segurança e inovação, a HP revelou as LaserJet Enterprise Série 8000, as primeiras impressoras do mundo preparadas para resistir a ataques de computadores quânticos. Numa altura em que a segurança da informação é cada vez mais crítica, estas impressoras vêm integradas em arquiteturas Zero Trust e oferecem proteção ao nível de hardware, antecipando ameaças que, embora ainda distantes para muitos, já são uma preocupação concreta para governos e empresas altamente regulamentadas.

Foram ainda anunciadas ferramentas de IA para pequenas e médias empresas que permitem, por exemplo, resumir e anexar digitalizações automaticamente a e-mails, ou aplicar redações automáticas em documentos confidenciais — tudo sem recorrer à nuvem.

Na frente de gestão e suporte, a empresa reforçou a Workforce Experience Platform (WXP) com novas ferramentas como o Fleet Explorer, que usa NLP para consultar dados da frota de dispositivos, e análise de sentimentos com IA que lê milhares de respostas em texto livre para avaliar a saúde emocional dos trabalhadores. A integração com plataformas como a Vyopta pretende oferecer uma visão unificada da experiência de colaboração digital.

Não é um detalhe menor que, segundo o Work Relationship Index da própria HP, apenas 28% dos trabalhadores têm hoje uma relação saudável com o seu emprego. Esta realidade está a alimentar a procura por tecnologia que vá além da performance e facilite conexões mais humanas e formas de trabalho mais sustentáveis.

A empresa acredita que a linha entre trabalho e lazer é cada vez mais ténue, e revelou novos dispositivos da linha de gaming OMEN e HyperX. O novo OMEN 16 Slim, por exemplo, traz desempenho de topo num formato ultrafino, enquanto a OMEN AI sugere automaticamente configurações ideais de sistema e jogo com base em IA. Já o HyperX Cloud III S Wireless Headset promete 200 horas de áudio imersivo com uma única carga.

Segundo Mohamed Ala Saayed, da consultora Frost & Sullivan, 60% dos donos de PC de gaming também os usam para trabalhar. A HP está, claramente, a adaptar-se a esta realidade híbrida, oferecendo dispositivos que rendem nos dois mundos.

Num contexto de expectativa económica que gera algum abrandamento na transição tecnológica, a HP optou por posicionar-se como uma força organizadora do caos. Ao integrar IA de forma transversal nos seus produtos e serviços — do portátil ao headset, da impressora ao software de gestão de frotas — a empresa não quer apenas fornecer ferramentas: quer reconfigurar o próprio contrato entre as pessoas e o trabalho.

Se vai conseguir ou não? Ainda é cedo para dizer. Mas é evidente que a HP não está apenas a reagir ao futuro — está a ajudar a escrevê-lo.

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