Às margens do Douro, onde a tradição se encontra com o futuro, a Huawei apresentou uma proposta que poderá vir a agitar o panorama das infraestruturas cloud em Portugal. Durante a SIM Conference, realizada nos dias 8 e 9 de maio na Alfândega do Porto, Pablo Ramos, Diretor de Desenvolvimento de Negócio da Huawei Cloud para a Ibéria, anunciou oficialmente a chegada da Huawei Cloud Iberia, acompanhada de um programa especialmente desenhado para apoiar startups.
Num evento dominado por conversas sobre inovação, financiamento e talento, a proposta da Huawei captou a atenção pela sua singularidade: um modelo de apoio técnico, financeiro e estratégico que pretende destacar-se da abordagem mais rígida dos gigantes já estabelecidos.
“A nossa cloud é tecnicamente comparável à da Amazon, Microsoft ou Oracle, mas a diferença está na forma como tratamos as startups: damos formação, créditos, fundos de marketing e ajudamos nos pitchs”, explicou Pablo Ramos.
Mais do que tecnologia — uma relação personalizada
A Huawei Cloud iniciou a sua operação europeia em novembro de 2022, a partir do hub irlandês. Desde então, expandiu-se para o sul da Europa, com foco particular em Espanha e, agora, Portugal. Segundo Ramos, o que torna a oferta relevante não é apenas a infraestrutura, mas a atenção dedicada aos empreendedores.
“As grandes clouds já estão muito desenvolvidas na Europa, mas não oferecem apoio personalizado. Nós, sim. Oferecemos tempo, formação e atenção às startups — aquilo a que gosto de chamar carinho.”
Esta aproximação vai além da técnica. A Huawei propõe-se a caminhar lado a lado com os fundadores, desde os primeiros passos até à maturidade do negócio, apoiando diretamente a escalabilidade e a entrada em novos mercados.
E se as startups crescerem? A promessa de continuidade
A personalização, porém, levanta uma questão inevitável: será mantida quando as startups deixarem de o ser? Pablo Ramos responde com firmeza.
“Se as empresas crescerem tanto que exijam mais recursos, é ótimo. Isso significa que o modelo está a resultar. E a Huawei está comprometida a continuar a investir — mais pessoas, mais estrutura, mais apoio.”
Segundo o responsável, a estratégia passa por um crescimento escalonado e sustentável, onde o apoio evolui à medida da expansão das startups. “Temos um plano interno que acompanha o crescimento. Se o ecossistema exigir mais, responderemos com mais investimento.”
O mercado português responde com curiosidade e interesse
Durante os dois dias da SIM Conference, o stand da Huawei foi um dos pontos mais visitados por representantes de incubadoras, investidores e startups. A curiosidade era evidente — e a proposta, bem recebida.
“Vieram falar connosco representantes de Lisboa, Porto, Aveiro… Há muito interesse. O ecossistema está habituado à Amazon ou Microsoft, mas vê na Huawei uma alternativa com apoio real.”
Para Ramos, a presença na SIM Conference serviu também para escutar o mercado e adaptar o modelo ao contexto português. “Estamos aqui para ouvir, não apenas para apresentar. Queremos ser parte ativa do ecossistema.”
Huawei: de redes móveis à cloud
O nome Huawei já é amplamente reconhecido no setor tecnológico, particularmente pelas suas soluções de telecomunicações e redes móveis. A entrada firme no mercado cloud representa mais uma peça no portfólio tecnológico do grupo, com a mesma ambição de excelência.
“Sempre que a Huawei entrou num sector, fez bem. A cloud será apenas mais uma área onde vamos continuar a inovar. As provas estão à vista.”
Mais do que uma infraestrutura, uma parceria estratégica
O programa de apoio à inovação da Huawei distingue-se por três pilares centrais:
- Apoio técnico personalizado (formação e consultoria direta)
- Créditos cloud para desenvolvimento e escalabilidade
- Marketing e visibilidade (incluindo pitchs em eventos da Huawei)
“Não queremos só oferecer tecnologia. Queremos ser parceiros reais das startups desde o dia zero.”
Com a aposta em Portugal, a Huawei posiciona-se como um terceiro grande player num mercado até agora dominado por dois gigantes. A diferença? Proximidade, flexibilidade e foco no crescimento das empresas emergentes.
“Estamos aqui para ficar. E queremos crescer ao lado do ecossistema português.”







