Huawei: Tecnologia ao serviço da inclusão e desenvolvimento

“O digital não é apenas uma ferramenta para o trabalho, mas também um meio de comunicação e envolvimento social”
18 de Novembro, 2024

No Web Summit, a Huawei promoveu a Master Class – “Tech 4 All – How ICT Can Enable Inclusion and Development”, destacando o papel transformador das Tecnologias de Informação e Comunicação na construção de uma sociedade mais inclusiva e equitativa. Esta sessão reuniu especialistas de diversas áreas: Inês Esteves, do .PT, Mónica Canário, da APPDI, José Pedro Antunes, da AMA, e Diogo Madeira, da Huawei, que partilharam perspetivas sobre os desafios e oportunidades na criação de um futuro digital para todos.

Competências digitais: A base da inclusão

A discussão começou com a importância das competências digitais como ponto de partida para promover a inclusão. José Pedro Antunes sublinhou que, numa era em que a digitalização se tornou omnipresente, é essencial capacitar não só os jovens, mas pessoas de todas as idades. “O digital não é apenas uma ferramenta para o trabalho, mas também um meio de comunicação e envolvimento social”, afirmou, destacando a necessidade de desenvolver serviços simplificados e acessíveis para uma população diversa. A requalificação de trabalhadores foi igualmente apontada como prioritária para evitar exclusões e assegurar que todos tenham um papel ativo na sociedade digital.

Mulheres na tecnologia: Quebrar barreiras

Mónica Canário, da APPDI, destacou a urgência de atrair mais mulheres para áreas tradicionalmente dominadas por homens, como as TIC e a engenharia. A iniciativa “Women Engineers for One Day”, que envolve mais de 21 mil jovens entre os 12 e os 18 anos, foi um exemplo inspirador de como é possível combater desigualdades estruturais. Durante a pandemia, o projeto adaptou-se ao formato online, permitindo alcançar escolas em regiões remotas de Portugal, como Bragança e as ilhas, demonstrando o poder do digital em democratizar o acesso à educação.

Tecnologia como ferramenta para equidade

Diogo Madeira, da Huawei, reforçou que a tecnologia, por si só, não é um fim, mas uma ferramenta para alcançar objetivos maiores. “A tecnologia é essencial para colmatar lacunas de acesso e proporcionar oportunidades a populações marginalizadas”, afirmou. Destacou ainda que a inclusão digital só é possível através de parcerias estratégicas, como as que a Huawei mantém com entidades como a .PT e a APPDI, promovendo esforços conjuntos para criar impacto real na sociedade.

Uma estratégia nacional para a inclusão

Inês Esteves abordou a “Estratégia Digital Nacional de Portugal”, que tem como pilar fundamental a inclusão. Apesar dos avanços, cerca de 44% da população portuguesa ainda carece de habilidades digitais básicas, um número alarmante que exige ação imediata. A estratégia foca-se não apenas nos jovens, mas também na qualificação contínua de profissionais e na inclusão de todos os grupos etários.

É evidente que as TIC podem ser a chave para resolver desafios globais, desde a desigualdade de género até à erradicação da pobreza. No entanto, como enfatizado pelos oradores, a tecnologia só cumprirá o seu potencial inclusivo se for desenvolvida de forma acessível e integrada numa visão colaborativa. Parcerias, simplicidade e foco nas pessoas foram os conceitos mais repetidos, deixando claro que o futuro digital não pode ser construído de forma isolada. Afinal, como bem lembrado, “não podemos avançar enquanto sociedade deixando ninguém para trás”.

Educação e cibersegurança no centro das iniciativas

Um dos destaques desta Master Class foi o “SmartBus”, um projeto itinerante que combina educação com tecnologia. Um autocarro transformado em sala de aula tem percorrido escolas em Portugal e Espanha, impactando mais de 3.500 alunos em apenas três meses. O foco é sensibilizar jovens entre os 10 e 14 anos sobre a importância da cibersegurança, promovendo boas práticas no uso de dados pessoais. 

“Este projeto tem um impacto imenso, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros, como Tondela e Viseu, onde o acesso a iniciativas deste tipo é raro”, destacou Mónica Canário, da APPDI. O programa também sublinha a necessidade de abordar estas temáticas com crianças mais novas, à medida que a utilização de smartphones cresce.

Inclusão digital: Um desafio nacional

A Iniciativa INCoDe.2030, lançada em 2017 e anteriormente promovida pelo .PT delineou cinco áreas estratégicas fundamentais: educação, qualificação, inclusão, especialização avançada e investigação. Como resultado, 60% da população portuguesa já possui competências digitais básicas, e a exclusão digital reduziu-se significativamente nos últimos anos. Apesar disso, o desafio da equidade permanece, especialmente na inclusão de mulheres em áreas de TIC, que, embora em crescimento, ainda representam apenas 20% da força de trabalho no setor.

O papel transformador da tecnologia não ficou limitado à inclusão digital. Exemplo disso é o uso de drones e IA para monitorizar a biodiversidade, reduzir pesticidas na agricultura e prevenir desastres naturais, como incêndios florestais. Projetos como o desenvolvimento de aplicações que traduzem livros para linguagem gestual são um exemplo de como a tecnologia pode ser um ponto de ligação entre pessoas com necessidades especiais e a sociedade. 

Desenho Inclusivo: Tecnologia com propósito

Um ponto comum em todas as iniciativas apresentadas foi a importância do desenho inclusivo, ou seja, desenvolver tecnologia para as pessoas e com as pessoas, como destacou Mónica Canário. Desde garantir acessibilidade em ambientes digitais para pessoas com deficiências até abordar desigualdades de género no design de produtos, os intervenientes enfatizaram a necessidade de envolvimento direto das comunidades afetadas. 

Esta Master Class reforçou o papel da tecnologia como ferramenta para reduzir desigualdades e criar oportunidades. Com o compromisso de setores públicos e privados, Portugal tem dado passos significativos, mas ainda há muito por fazer. Como enfatizado por Diogo Madeira, “iniciativas locais, especialmente nas áreas rurais, são cruciais para fechar barreiras e promover uma inclusão efetiva”. 

Opinião