A Huawei anunciou ter assegurado conectividade digital a 170 milhões de pessoas em zonas remotas de mais de 80 países, ultrapassando o compromisso assumido no âmbito da coligação Partner2Connect (P2C) da União Internacional das Telecomunicações, que previa ligar 120 milhões de pessoas até 2025. A empresa afirma ter superado a meta global definida com a UIT ao alcançar 170 milhões de pessoas em regiões remotas, acima dos 120 milhões inicialmente previstos até 2025.
O anúncio foi feito durante o Fórum TECH Cares, que reuniu cerca de 80 representantes de governos, indústria, organizações parceiras e organismos internacionais. O encontro serviu para debater a inclusão digital numa fase em que a inteligência artificial ganha peso nas estratégias económicas e tecnológicas, mas em que persistem assimetrias significativas no acesso às infraestruturas básicas.
Na abertura do fórum, Yang Chaobin, CEO da área de negócios de TIC da Huawei, sublinhou que os avanços rápidos da inteligência artificial não eliminam, por si só, a exclusão digital e que esta pode mesmo acentuar-se se não houver investimento em redes e capacidade de processamento. A mensagem central teve como foco o facto de sem garantia de redes de alta velocidade e capacidade de computação adequada, a promessa de uma IA inclusiva fica comprometida. Segundo o responsável, o cumprimento do compromisso com a UIT reflete uma estratégia de longo prazo centrada na inovação tecnológica para apoiar comunidades remotas no acesso a serviços de saúde, educação e finanças.
Também Cosmas Zavazava, diretor do Gabinete de Desenvolvimento das Telecomunicações da UIT, enquadrou o desafio numa perspetiva estrutural. Para o responsável, ligar comunidades rurais e carenciadas exige modelos de negócio ajustados à realidade local, uso eficiente dos recursos de comunicação, envolvimento das populações e investimento continuado na capacitação local.
A abordagem da Huawei à inclusão digital assenta, de acordo com Jeff Wang, responsável global de assuntos públicos e comunicação, em dois eixos complementares: a expansão da conectividade e o desenvolvimento de competências digitais. A empresa defende que o acesso à rede, por si só, não é suficiente sem formação que permita tirar partido das ferramentas digitais. Nesse contexto, tem estabelecido parcerias para apoiar estudantes, jovens, idosos e mulheres, através da expansão do acesso, de programas de formação e do desenvolvimento de currículos nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Um dos exemplos apresentados foi o programa Skills on Wheels, lançado em 2019, que levou formação digital móvel a mais de 130 mil pessoas em 21 países. A iniciativa procura responder a lacunas de literacia digital em comunidades com menor acesso a infraestruturas educativas tradicionais. A perspetiva de operadores como o Grupo MTN, representado no fórum pela responsável de sustentabilidade e valor partilhado, reforça a ideia de que a conectividade é vista como infraestrutura essencial ao desenvolvimento económico, em particular em geografias africanas.
No plano tecnológico, a empresa tem vindo a atualizar, desde 2017, as suas soluções de rede destinadas a zonas rurais, agrupadas na designação Rural Series. Em novembro de 2025, foi lançado o Huawei RuralCow, solução desenvolvida com o apoio da MTN Nigéria para estender cobertura a aldeias com cerca de 1.500 habitantes. Estas soluções de rede rural são apresentadas como um dos fatores que permitiram atingir os 170 milhões de pessoas ligadas, ao mesmo tempo que procuram garantir viabilidade económica em contextos de baixa densidade populacional.
Ao longo do fórum, os participantes partilharam resultados de projetos conjuntos e manifestaram intenção de aprofundar a cooperação. O consenso entre governos, operadores e organizações internacionais foi o de que a inclusão digital na era da IA exige coordenação e investimento continuado entre diferentes setores.
Para decisores de TI e responsáveis de compras tecnológicas, a mensagem é dupla. Por um lado, a conectividade continua a ser a base de qualquer estratégia digital, incluindo as que integram inteligência artificial. Por outro, projetos em zonas remotas exigem modelos adaptados, tanto do ponto de vista técnico como financeiro. A evolução das soluções de rede rural e a aposta na formação indicam que o debate já não se limita à cobertura, mas inclui sustentabilidade operacional e capacitação das populações.







