IA chega ao centro da infraestrutura da Synology

Na COMPUTEX 2026, a Synology apresentou uma renovação profunda da sua oferta para empresas, colocando a inteligência artificial no centro da gestão de dados, da cibersegurança, da produtividade e da videovigilância. A estratégia passa por permitir que as organizações utilizem modelos de IA localmente, mantendo o controlo sobre a informação e reduzindo a dependência de plataformas externas.
8 de Junho, 2026

A Synology aproveitou a edição de 2026 da COMPUTEX para revelar uma nova geração de soluções empresariais assente na integração de inteligência artificial em diferentes áreas da sua plataforma tecnológica. A empresa pretende responder a uma preocupação crescente das organizações, utilizar capacidades avançadas de IA sem comprometer a privacidade, a segurança ou o controlo dos seus dados.

O elemento central desta estratégia é a evolução do sistema operativo DiskStation Manager (DSM), que deixa de estar focado exclusivamente no armazenamento para assumir o papel de plataforma de suporte a fluxos de trabalho de inteligência artificial executados localmente. A abordagem permite que as empresas processem informação nos seus próprios sistemas, evitando a transferência de dados para serviços públicos externos e os custos associados a esse modelo.

Para suportar esta transformação, a nova versão do software passa a ser compatível com equipamentos de armazenamento em rede equipados com unidades gráficas e hardware especializado. Desta forma, os algoritmos podem trabalhar diretamente sobre os repositórios privados das organizações, sem necessidade de mover informação para fora das suas instalações.

A Synology introduziu também o DSM Agent, um novo mecanismo de orquestração destinado a automatizar tarefas administrativas e a reforçar a supervisão dos acessos aos ficheiros. Em paralelo, a ferramenta Cluster Manager surge como resposta aos desafios da gestão de infraestruturas distribuídas, permitindo aos responsáveis de TI administrar múltiplos sistemas a partir de uma única consola e redistribuir cargas de trabalho sempre que necessário.

No domínio da segurança e da conformidade, o fabricante reforçou os mecanismos de controlo de acesso através de políticas mais detalhadas baseadas em funções. A plataforma passa igualmente a incluir um centro de registos concebido para facilitar processos de auditoria. A empresa revelou ainda que está em curso o processo de obtenção da certificação criptográfica FIPS 140-3, um requisito frequentemente valorizado em ambientes empresariais sujeitos a exigências regulatórias mais rigorosas. Estas capacidades serão disponibilizadas de forma gradual nas próximas atualizações do software.

A cibersegurança foi outra das áreas em destaque durante a apresentação. A Synology anunciou o ActiveProtect Manager 2.0 e o novo equipamento DP5200, posicionando-os como uma evolução face aos modelos tradicionais de recuperação após incidente.

A nova geração da plataforma utiliza aprendizagem automática para identificar comportamentos anómalos nas rotinas de cópia de segurança, permitindo isolar automaticamente elementos potencialmente comprometidos antes que um incidente se propague. Entre os indicadores analisados encontram-se alterações invulgares nos ficheiros ou padrões considerados suspeitos durante os processos de backup.

A solução passa também a abranger ambientes híbridos, permitindo restaurar máquinas virtuais entre infraestruturas locais e plataformas externas. O suporte anunciado inclui serviços como AWS EC2, Azure VM, Proxmox VE, Nutanix AHV e Google Workspace. Adicionalmente, a plataforma integra motores antivírus de terceiros e mecanismos de reversão automática para garantir que a recuperação ocorre a partir da cópia mais recente validada como segura. O lançamento do ActiveProtect Manager 2.0 está previsto para o terceiro trimestre de 2026.

A empresa aproveitou igualmente o evento para expandir a sua oferta de videovigilância empresarial. O portefólio passa a incluir o controlador de acessos AC100, os leitores da Série AR e as câmaras domo da Série DC. Nos sistemas de gravação DVA, foi adicionada uma funcionalidade de pesquisa semântica automatizada, enquanto o serviço Surveillance365 assume uma arquitetura híbrida para monitorização remota.

No segmento da produtividade, a Synology reforçou a sua suite de aplicações locais com as ferramentas ChatPlus e Meet. As novas funcionalidades de transcrição e tradução automáticas foram concebidas para manter as comunicações dentro da infraestrutura da organização, alinhando-se com a estratégia da empresa de privilegiar o processamento local da informação.

A apresentação ficou concluída com novidades para o mercado de consumo, incluindo os sistemas BeeStation Plus e BeeCamera. A marca acrescentou ainda uma ferramenta de pesquisa avançada para Windows e macOS capaz de organizar ficheiros pessoais através de algoritmos executados localmente, preservando a privacidade dos utilizadores.

Mais do que apresentar novos produtos, a Synology utilizou a COMPUTEX 2026 para evidenciar uma tendência que começa a ganhar peso no mercado empresarial: a procura por soluções de inteligência artificial que funcionem dentro dos limites da própria organização. Num contexto em que a soberania dos dados e a conformidade regulatória assumem crescente relevância, a aposta no processamento local surge como um dos principais eixos estratégicos da evolução da infraestrutura tecnológica corporativa.

Opinião