IA entra nos tribunais pela porta da formação

Perante um sistema jurídico cada vez mais pressionado pela complexidade regulatória, pelo volume de informação e pela necessidade de maior eficiência, a Microsoft Portugal reuniu estudantes, advogados e especialistas em tecnologia num hackathon dedicado à aplicação da Inteligência Artificial à justiça. A iniciativa pretende contribuir para a capacitação de talento e para a modernização de um setor onde o rigor, a confiança e a supervisão humana continuam a ser fatores determinantes.
22 de Junho, 2026
Imagem gerada por IA

A modernização da justiça está a ganhar uma nova dimensão com o recurso à Inteligência Artificial (IA). Partindo da convicção de que a qualidade, previsibilidade e eficiência do sistema judicial são elementos fundamentais para a confiança nas instituições e para a competitividade económica, a Microsoft Portugal promoveu o Hackathon AI x Justice, uma iniciativa destinada a aproximar o setor jurídico das tecnologias emergentes.

O evento reuniu cerca de 35 estudantes universitários de Direito, representantes de sociedades de advogados e especialistas da Microsoft, num exercício de experimentação e desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas aos desafios do setor jurídico português.

A iniciativa juntou estudantes da Universidade Católica Portuguesa, da NOVA School of Law e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, bem como profissionais de sociedades de advogados como a Gomez Acebo Pombo, CCA, PLMJ e Cuatrecasas.

Ao longo de um dia de trabalho, os participantes foram desafiados a colaborar em equipas multidisciplinares para explorar formas de aplicar a IA a diferentes áreas da atividade jurídica. O objetivo passou por criar protótipos com potencial de utilização prática, capazes de responder a desafios relacionados com a eficiência operacional, o tratamento de informação e o apoio à tomada de decisão.

Para a Microsoft, a crescente relevância da IA em áreas tradicionalmente mais conservadoras, como o Direito, exige um esforço de capacitação que permita aos profissionais compreender não apenas o potencial da tecnologia, mas também os seus limites. A empresa considera que o desafio atual não reside na falta de informação ou de conhecimento técnico, mas sim na capacidade de transformar conhecimento disperso em recursos acessíveis e úteis para suportar decisões fundamentadas.

A Microsoft defende que a Inteligência Artificial pode ajudar a reduzir a duplicação de trabalho, melhorar a circulação do conhecimento e aumentar a consistência dos processos jurídicos, desde que seja utilizada de forma responsável e sob supervisão humana.

A iniciativa surge também num contexto em que persistem desafios estruturais no sistema judicial português, particularmente nas áreas da justiça administrativa e fiscal. Neste cenário, a empresa acredita que a tecnologia pode desempenhar um papel relevante ao apoiar profissionais na análise de informação, na gestão documental e na execução de tarefas repetitivas, libertando tempo para atividades de maior valor acrescentado.

Durante o hackathon, os participantes trabalharam sobre casos concretos e desenvolveram propostas orientadas para a resolução de problemas reais do setor. No final do evento, as equipas apresentaram os seus protótipos, contribuindo para um debate mais alargado sobre a adoção de IA nos serviços jurídicos.

Os estudantes envolvidos destacaram a importância de adquirir experiência prática numa área que deverá assumir um peso crescente no exercício da profissão jurídica nos próximos anos.

Entre os participantes, foi sublinhada a necessidade de preparar o setor para uma realidade em que a IA terá um papel relevante no apoio às atividades jurídicas e judiciais. A capacidade de aplicar conhecimentos académicos a problemas concretos e de compreender o funcionamento destas tecnologias foi apontada como uma competência cada vez mais valorizada.

A Microsoft garante que todas as soluções desenvolvidas no âmbito da iniciativa serão enquadradas pelos seus princípios de IA responsável, incorporando requisitos de segurança, privacidade, transparência e supervisão humana desde as fases iniciais de desenvolvimento.

A aposta na formação, experimentação e cocriação reflete a estratégia da empresa para acelerar a adoção responsável da Inteligência Artificial no setor jurídico e contribuir para um ecossistema mais preparado para os desafios da era digital.

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