IA muda a forma como o LinkedIn aproxima candidatos e empregadores

O LinkedIn está a testar um conjunto de ferramentas de inteligência artificial que transforma a pesquisa de emprego num diálogo simples, capaz de interpretar intenções, sugerir percursos alternativos e reduzir tempo perdido tanto para candidatos como para recrutadores.
9 de Dezembro, 2025

O LinkedIn quer tornar a procura de emprego menos mecânica e mais orientada para a intenção real de cada utilizador. A plataforma está a introduzir funções de IA que, segundo a empresa, analisam o que o candidato pretende alcançar e devolvem resultados ajustados ao perfil e ao contexto profissional de cada pessoa. A pesquisa passa a aceitar perguntas em linguagem natural e devolve propostas relevantes, incluindo caminhos de carreira que não surgiriam numa pesquisa tradicional.

Segundo o LinkedIn esta evolução pretende afastar-se da lógica de palavras-chave que domina este tipo de ferramentas. O novo modelo tenta compreender o que está por detrás da pergunta do candidato, com o objetivo de evitar pesquisas pouco eficazes e reduzir tempo perdido. A empresa afirma que esta abordagem semântica oferece uma profundidade de análise maior do que o sistema de pesquisa anterior.

O impacto não se limita aos candidatos. A plataforma apresenta também melhorias para empregadores, que passam a receber perfis considerados mais adequados e com percursos profissionais relevantes. A empresa descreve o processo como mais focado na qualidade das candidaturas do que na quantidade, apoiado num mecanismo que filtra propostas pouco ajustadas antes de chegarem aos recrutadores.

A pesquisa de emprego com IA está disponível desde o início de 2025 em seis mercados: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Índia e Singapura. A multinacional planeia estender o serviço a outros países ao longo de 2026.

A empresa lançou também uma ferramenta chamada “Pessoas em Busca”, disponível por enquanto apenas nos EUA e dirigida a subscritores Premium. A funcionalidade permite identificar potenciais contactos dentro de empresas que possam servir de referência ou apoio informal durante um processo de candidatura. O utilizador pode perguntar, por exemplo, quem dentro de uma organização domina um determinado tema ou quem poderia recomendá-lo, algo que não era possível nas pesquisas tradicionais.

A funcionalidade procura acrescentar um elemento humano ao processo automatizado. A empresa planeia torná-la gratuita e disponível globalmente nos próximos meses, abrangendo todos os idiomas suportados, embora admita que ainda precisa de tempo para aperfeiçoar o sistema.

O objetivo mais amplo da iniciativa é eliminar ruído informativo. A plataforma passa a indicar lacunas de competências quando uma vaga não corresponde ao perfil do utilizador e sugere alternativas mais adequadas. Em poucos segundos, o candidato consegue perceber se a função é compatível com o seu percurso e que competências seriam necessárias para aumentar essa compatibilidade.

Todos estes serviços são suportados por um sistema de recomendação baseado em modelos linguísticos de grande escala que, segundo a empresa, é significativamente mais avançado do que o anterior. A principal alteração técnica está na migração de processamento para GPU, permitindo responder a pesquisas mais complexas e interpretar intenções com maior precisão.

A plataforma planeia continuar a expandir o uso de IA, incluindo funcionalidades adicionais como a identificação de potenciais mentores dentro da rede de contactos. A ideia passa por analisar publicações e conteúdos partilhados para perceber que utilizadores poderiam ter perfil adequado para apoiar outros profissionais.

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