IA treinada com múltiplos padrões médicos otimiza a codificação clínica

Um estudo internacional conclui que os algoritmos de codificação na área da saúde melhoram a sua precisão ao combinar diferentes versões da Classificação Internacional de Doenças, promovendo uma gestão de saúde mais eficiente e uma investigação biomédica mais fiável.
11 de Junho, 2026

O volume crescente de informação de saúde e a complexidade cada vez maior dos sistemas de registo médico obrigam a procurar novas formas de organizar os registos dos doentes. Neste contexto, um estudo internacional recente avaliou o impacto das novas tecnologias na codificação clínica, o processo técnico através do qual as descrições textuais dos diagnósticos e procedimentos médicos são traduzidas em códigos alfanuméricos padronizados para arquivo e análise.

A investigação conclui que os modelos de IA alcançam maior precisão na atribuição automática de diagnósticos se forem treinados combinando dados de diferentes versões da Classificação Internacional de Doenças, habitualmente conhecida no setor da saúde pela sigla CIE ou ICD. Mais concretamente, a utilização conjunta de registos provenientes da nona e décima iterações desta norma oferece resultados de acerto superiores aos obtidos quando o programa informático aprende a partir de uma única versão da norma. Uma vantagem que se torna especialmente evidente ao tratar os registos médicos mais complexos ou aqueles que apresentam patologias pouco frequentes.

A capacidade destes algoritmos de se alimentarem de sistemas de classificação de diferentes épocas representa um avanço significativo para a padronização da informação dos pacientes. Ao dotar o sistema informático da capacidade de adaptar e cruzar referências médicas antigas e modernas de forma autónoma, facilita-se a transição futura para novos catálogos de doenças e promove-se uma gestão integral dos registos clínicos. Esta evolução tecnológica permite converter os textos redigidos pelos médicos em bases de dados estruturadas e interoperáveis entre diferentes centros e instituições.

Dispor desta informação unificada e veraz resulta de grande utilidade operacional para os responsáveis pela tecnologia e pelas compras do setor, uma vez que permite às plataformas informáticas medir com exatidão a pressão assistencial dos hospitais, avaliar a eficácia estatística dos tratamentos e identificar padrões de saúde para otimizar a assistência aos doentes.

A direção da empresa ASHO, entidade centrada na gestão documental hospitalar, salienta que a obtenção de uma maior exatidão na codificação tem um impacto direto no planeamento dos recursos de saúde. Os seus responsáveis argumentam que a qualidade dos dados clínicos passou a ser um ativo estratégico para a viabilidade económica e operacional dos centros, e salientam que o uso da IA constitui uma ferramenta fundamental para consolidar um sistema de saúde mais eficiente, o que facilitará a tomada de decisões informadas por parte dos gestores e impulsionará futuros desenvolvimentos no âmbito da investigação biomédica.

Opinião