IBM aposta na governação e automação para tornar a IA mais rentável

Na conferência Think, a IBM apresentou uma estratégia centrada na reorganização tecnológica das empresas para melhorar o retorno dos investimentos em inteligência artificial.
12 de Maio, 2026

A IBM defendeu, durante o seu evento Think, que o principal desafio das empresas já não passa pela adoção de inteligência artificial generativa, mas pela capacidade de transformar os seus modelos operacionais para retirar valor efetivo dessa tecnologia. A empresa considera que muitas organizações continuam a enfrentar dificuldades em converter o investimento realizado em IA em ganhos mensuráveis de eficiência, produtividade ou competitividade.

O presidente executivo da IBM, Arvind Krishna, sustentou que as empresas mais avançadas não são necessariamente as que implementam mais sistemas de IA, mas aquelas que estão a reorganizar os seus processos internos e a forma como operam. Segundo a tecnológica, a execução de IA em larga escala exige um novo modelo de gestão tecnológica capaz de garantir níveis de controlo, governação e fiabilidade equivalentes aos aplicados nas infraestruturas críticas tradicionais.

A estratégia apresentada pela IBM assenta em quatro áreas técnicas consideradas fundamentais: agentes autónomos, gestão de dados, automação de processos e administração de ambientes híbridos.

No domínio dos agentes autónomos, a IBM entende que o desafio deixou de ser apenas criar assistentes inteligentes e passou a centrar-se na capacidade de supervisionar, auditar e controlar esses sistemas quando o número de agentes aumenta significativamente dentro das organizações. Para responder a esse cenário, a empresa anunciou uma nova geração da plataforma watsonx Orchestrate, concebida como um centro de coordenação multiagente capaz de aplicar políticas corporativas de forma consistente.

Paralelamente, a tecnológica disponibilizou aos programadores a plataforma Bob, que integra mecanismos de controlo de custos e segurança diretamente no processo de desenvolvimento de aplicações. A IBM revelou ainda que está prevista uma versão específica da ferramenta orientada para cargas de trabalho críticas executadas em ambientes mainframe.

A empresa considera igualmente que os sistemas de IA só produzem resultados consistentes quando conseguem aceder a informação atualizada e integrada em tempo real.

Para responder a esse problema, a IBM recorreu à integração da tecnologia da Confluent, permitindo alimentar os modelos analíticos empresariais com fluxos contínuos de dados. Esta arquitetura baseia-se nas tecnologias Kafka e Flink e é complementada por uma camada de contexto aberta integrada na plataforma watsonx.data. O objetivo passa por permitir que os algoritmos interpretem os dados com significado semântico, facilitando simultaneamente os processos de conformidade regulatória e a explicação das decisões tomadas pelos sistemas automatizados.

A empresa indicou ainda que os testes internos realizados em conjunto com a NVIDIA, utilizando uma versão acelerada por GPU do motor Presto, demonstraram reduções relevantes nos custos e nos tempos de processamento. Segundo a IBM, os ensaios efetuados na rede global de dados da Nestlé permitiram alcançar melhorias significativas na relação entre desempenho e custo operacional.

Nos ambientes empresariais mais complexos baseados em sistemas Z, os administradores de bases de dados passarão também a dispor de um assistente especializado para otimizar configurações e monitorizar desempenho.

A IBM destacou igualmente o aumento da complexidade operacional das redes empresariais à medida que a IA passa a integrar processos centrais do negócio. Tradicionalmente, esta gestão era realizada através de múltiplas ferramentas isoladas, criando dificuldades de coordenação entre equipas e sistemas.

Para centralizar essa supervisão, a IBM apresentou a plataforma Concert, destinada a substituir modelos de monitorização passiva por respostas automatizadas e coordenadas entre aplicações, redes e sistemas.

A plataforma agrega sinais de risco provenientes de diferentes ferramentas tecnológicas num único painel de controlo, evitando que as empresas tenham de substituir as soluções de diagnóstico já existentes.

Na área da cibersegurança, a empresa anunciou o Secure Coder, uma ferramenta integrada nos fluxos de trabalho dos programadores para detetar vulnerabilidades no código e gerar automaticamente correções preventivas. Esta solução será complementada pelos sistemas Vault 2.0, destinados à gestão dinâmica de credenciais, e pelo futuro gestor de segredos zSecure, direcionado para ambientes de elevada exigência em termos de segurança.

A IBM abordou também os desafios enfrentados pelas organizações que operam em diferentes jurisdições e que necessitam de cumprir regulamentações distintas relacionadas com proteção de dados e soberania digital.

Para responder a esse cenário, a empresa apresentou o Sovereign Core, um sistema que incorpora políticas de conformidade diretamente na infraestrutura tecnológica, permitindo adaptar os mecanismos de governação aos diferentes enquadramentos legais.

Baseada em tecnologias open source empresariais desenvolvidas pela Red Hat, esta infraestrutura pretende facilitar a portabilidade das cargas de trabalho entre diferentes ambientes tecnológicos. O sistema inclui ainda um catálogo adaptável de software previamente validado e suportado por parceiros tecnológicos ligados às áreas de hardware e cibersegurança.

Opinião