Uma decisão, divulgada inicialmente por meios de comunicação chineses, abrange o encerramento de um centro de P&D e a transferência de outro para fora do país.
Segundo o site financeiro chinês Yica, a subsidiária chinesa da IBM comunicou oficialmente os planos na segunda-feira. O portal Caixin, também especializado em notícias financeiras, detalhou que as divisões afetadas incluem uma dedicada ao desenvolvimento de software e outra à pesquisa de sistemas relacionados a dados. Esta última será relocalizada para outro país, cuja localização exata ainda não foi divulgada.
Em declarações à Reuters, um representante da IBM confirmou as informações, assegurando que “essas mudanças não comprometerão a nossa capacidade de continuar a servir os clientes em toda a região da Grande China”. No entanto, a decisão surge num contexto de restrições cada vez maiores por parte do governo chinês, que tem imposto maior controle sobre a internet e limitações severas à transferência de dados para fora do país. Este ambiente mais restritivo tem tornado a colaboração entre equipas de P&D americanas e chinesas cada vez mais desafiante.
A IBM, que mantém operações na China desde 1934 e estabeleceu a sua divisão de P&D no país em 1995, enfrenta agora um cenário onde as dificuldades económicas e regulatórias obrigam a empresa a fazer ajustes significativos na sua estratégia. Este movimento alinha-se com decisões semelhantes tomadas por outras gigantes da tecnologia, como a Microsoft, que em maio também anunciou a realocação de parte do seu pessoal de I&D para fora da China.
O impacto desta decisão não se limita apenas aos trabalhadores diretamente afetados. A saída da IBM pode sinalizar um enfraquecimento das operações de P&D americanas na China, num momento em que as relações entre Washington e Pequim se encontram no seu ponto mais tenso em décadas. Empresas norte-americanas têm reavaliado as suas atividades na região, ponderando a continuidade das operações num ambiente de incerteza crescente.
O encerramento das operações de I&D da IBM na China é um sinal claro de como as tensões políticas e comerciais podem reconfigurar as estratégias corporativas globais. Para a IBM, essa decisão representa não apenas uma resposta às atuais pressões externas, mas também um ajuste necessário para continuar a competir num mercado cada vez mais complexo e fragmentado.







