Impacto ambiental dos centros de dados aumenta ao ritmo da inteligência artificial

Entre 2020 e 2025, a expansão tecnológica aumentou o consumo de eletricidade e de água, impulsionando a indústria a melhorar a sua eficiência e a adotar energia descarbonizada para assegurar a sua sustentabilidade futura.
22 de Maio, 2026

A consultora Structure Research publicou o seu relatório sobre o estado do impacto ambiental para o ano de 2026, um documento que analisa a pegada ecológica dos fornecedores de centros de dados e plataformas de hiperescala a nível mundial. O estudo avalia a evolução, entre os anos de 2020 e 2025, das emissões de carbono, do gasto energético, do uso de fontes renováveis e do consumo de água na infraestrutura digital. Tudo isto com base nos registos de 38 empresas de alojamento de equipamentos (colocation) e nove grandes ambientes na cloud

Durante o quinquénio analisado, a capacidade operacional do setor registou um notável aumento, impulsionado pela implementação da IA e das infraestruturas na cloud, passando de 44 046 megawatts em 2020 para uma estimativa de 80 242 megawatts no final de 2025. As cargas de trabalho de alta densidade exigidas por estas novas tecnologias estão a obrigar os operadores a desenvolver instalações de maior dimensão e a implementar sistemas de refrigeração líquida mais avançados.

Como consequência direta desta expansão física e tecnológica, o gasto elétrico destas instalações escalou para os 361,6 terawatts-hora em 2025, representando 1,23% do consumo mundial, face aos 198,7 terawatts-hora e 0,81% que representavam no início da década. Paralelamente, as necessidades térmicas fizeram com que o consumo de água das empresas monitorizadas também duplicasse, subindo de 55,8 para 114,9 milhões de metros cúbicos no mesmo período de tempo.

Apesar deste acentuado aumento na procura de recursos, o documento reflete avanços quantificáveis na eficiência energética e uma redução das emissões poluentes por gigawatt-hora consumido. O indicador que mede a eficácia da utilização da energia — conhecido tecnicamente como PUE e onde um valor mais próximo de um reflete uma maior otimização — melhorou entre os fornecedores gerais de 1,44 para 1,38, enquanto os grandes operadores de hiperescala conseguiram manter uma média de 1,21. Da mesma forma, as emissões desceram de 328,3 para 229,3 toneladas métricas equivalentes de dióxido de carbono por cada gigawatt-hora.

Este progresso operacional apoia-se firmemente numa transição acelerada para fontes de produção elétrica que não prejudicam o ambiente. No final de 2025, os operadores de hiperescala conseguiram que aproximadamente 92% da sua energia fosse proveniente de fontes livres de carbono. Um valor que se situou nos 69% para os restantes fornecedores de centros de dados. Face às limitações de abastecimento que as redes elétricas tradicionais apresentam nos mercados de maior procura, as empresas estão a recorrer cada vez mais à energia nuclear, a acordos associados ao gás natural e à compra direta de eletricidade. Por outro lado, para mitigar o consumo hídrico, a indústria está a integrar progressivamente circuitos fechados de refrigeração líquida, designs híbridos e estratégias que dão prioridade ao uso de águas não potáveis.

Os responsáveis pela investigação salientam que a rápida adoção da IA está a alterar por completo os recursos exigidos pelo mercado, atraindo uma maior vigilância pública sobre os consumos hídricos e elétricos. Perante este cenário, concluem que o principal desafio da indústria consistirá em encontrar um equilíbrio viável entre o crescimento tecnológico sem precedentes e os objetivos de sustentabilidade a longo prazo.