A investigação da Check Point Research (CPR) conclui que, em 2025, cada empresa de manufatura enfrentou, em média, 1.585 tentativas de ataque semanais, 30% a mais do que no ano anterior, de acordo com o seu Manufacturing Security Report 2025. A análise, divulgada a 6 de outubro em Madrid, destaca a indústria transformadora como um dos setores mais pressionados pelo cibercrime à escala global.
O ransomware continua a ser a ameaça que causa maior impacto, com incidentes que resultaram em perdas de centenas de milhões e, em casos extremos, em insolvências. A CPR atribui esta pressão à sensibilidade do tempo de operação: a paralisação de uma linha de produção durante horas pode traduzir-se em custos milionários. O que coloca os fabricantes na mira de grupos de extorsão, mesmo sem necessidade de roubar dados, se conseguirem paralisar a atividade.
A este cenário acrescem os riscos próprios das cadeias de abastecimento hiperconectadas e a atividade de atores patrocinados por Estados e hacktivistas, que procuram desde a interrupção operacional até ao roubo de propriedade intelectual. Nos últimos anos, registaram-se incidentes graves em empresas de referência internacional e, paralelamente, foram documentados roubos de planos e projetos em áreas como: drones, automóvel e tecnologias relacionadas com a defesa.
Para além do impacto económico direto, os ataques provocam efeitos em cascata: perda de confiança, incumprimento contratual, atrasos na inovação e mais pressão regulatória. A indústria transformadora não opera de forma isolada; a sua dependência de fornecedores, parceiros globais e dispositivos IoT/OT torna cada ligação uma possível via de entrada. Uma única vulnerabilidade pode parar uma linha e arrastar indústrias inteiras, especialmente em ambientes geridos sob modelos «just in time».
Neste contexto, a CPR insta as equipas de gestão do setor a abandonar abordagens reativas e a priorizar medidas que aumentem a resiliência. A recomendação passa por garantir a continuidade do negócio com planos testados e capacidades de recuperação em horas, em vez de semanas. Da mesma forma, propõe endurecer o controlo sobre terceiros com padrões de cibersegurança aplicados aos fornecedores e total visibilidade dos acessos e riscos, e reforçar a proteção da propriedade intelectual com defesas apoiadas em inteligência, deteção avançada e prevenção de fugas. Por último, incentiva a adoção de uma estratégia proativa que vá além da mera conformidade regulamentar, com foco na prevenção antes que o ataque se concretize.
A Check Point sublinha que os ataques à indústria transformadora não só interrompem a produção, como também atrasam as entregas, comprometem ativos intangíveis e podem desestabilizar economias, pelo que a ciber-resiliência do setor transcende o âmbito das TI e está ligada à competitividade económica e à estabilidade nacional.







