Inteligência artificial chega às salas de aula europeias com projeto conjunto da Acer e da Intel

Um projeto-piloto em escolas de seis países europeus aposta na integração da inteligência artificial no ensino, combinando ferramentas tecnológicas e programas de capacitação para professores, com vista a preparar alunos e educadores para as exigências do mercado de trabalho moderno.
24 de Setembro, 2025

O projeto AI Classroom, desenvolvido em parceria pela Acer e pela Intel, está já em funcionamento em 50 escolas de seis países europeus — Reino Unido, Espanha, Itália, Bulgária, Finlândia e Suécia — e prepara a sua entrada na Irlanda e na Polónia. O objetivo é apoiar professores no planeamento de aulas, criação de conteúdos e personalização da aprendizagem através de ferramentas de inteligência artificial.

As soluções passam por equipamentos concebidos para o setor da educação, como o Acer TravelMate AI e o Acer Chromebook Plus, que integram o Microsoft Copilot e o Google Gemini, respetivamente. Estes dispositivos permitem desde a tutoria personalizada de alunos até à análise de resultados de testes, ajudando os professores a planear intervenções pedagógicas com base em dificuldades recorrentes.

A iniciativa conta com uma rede de revendedores especializados em educação e integra parcerias com a Microsoft e a Google. A Acer sublinha que a prioridade é disponibilizar conteúdos e ferramentas que reforcem o papel do professor, com impacto direto na qualidade da aprendizagem, não apenas na vertente pedagógica, mas também em processos administrativos e de gestão escolar.

Programas complementares de capacitação

O AI Classroom funciona em articulação com o Intel Skills for Innovation (SFI), um programa de formação docente alinhado com a estrutura DigComp da União Europeia. Enquanto o AI Classroom fornece ferramentas tecnológicas, o SFI disponibiliza a componente pedagógica e de capacitação de professores.

A Acer participou na criação de Starter Packs — planos de aula modulares organizados por faixa etária entre os 10 e os 19 anos. Estes pacotes incluem módulos que abordam temas como design digital, bem-estar no uso de ecrãs e sustentabilidade através de atividades práticas com recurso a software e ferramentas de IA.

Já presente em mais de 150 países e envolvendo mais de 300 mil professores, o SFI distribuiu até agora 1.734 Starter Packs. Segundo o relatório anual de 2024 da Intel, 85% dos professores envolvidos aumentaram a confiança no uso de tecnologia em sala de aula e 92% dos alunos afirmaram sentir-se mais envolvidos com as atividades.

Além disso, o programa inclui mais de 80 horas de formação online para professores e mais de 120 recursos pedagógicos prontos a usar, abrangendo áreas como análise de dados, pensamento computacional, CAD e design digital.

As duas iniciativas partem da mesma premissa: a inteligência artificial está a moldar novas exigências na força de trabalho. De acordo com o Fórum Económico Mundial, até 2030 poderão ser criados 170 milhões de empregos que exigem pensamento crítico, criatividade e competências digitais avançadas.

Neste enquadramento, tanto o AI Classroom como o Skills for Innovation procuram capacitar professores e preparar alunos com competências práticas para um mercado de trabalho em transformação.

Opinião