Inteligência artificial entra na mala dos turistas europeus

Um estudo da Kaspersky mostra que a IA já faz parte do planeamento de viagens na Europa, sobretudo pela poupança de tempo e pela capacidade de personalizar sugestões, mas também revela um nível elevado de atenção aos riscos associados à segurança dos dados.
12 de Dezembro, 2025

O recurso a ferramentas de Inteligência Artificial no planeamento de viagens está a ganhar espaço entre os turistas europeus, numa altura em que a época natalícia impulsiona deslocações para lazer e visitas a familiares. A principal motivação passa pela poupança de tempo e pela simplificação do processo de organização, fatores apontados por 65,1% dos inquiridos num estudo recente da Kaspersky.

Para além da eficiência, a tecnologia é valorizada pela capacidade de apoiar a pesquisa de informação sobre destinos. Mais de metade dos turistas recorre à IA para identificar atrações turísticas, obter recomendações adaptadas às suas preferências e encontrar ofertas que permitam reduzir custos, demonstrando uma utilização cada vez mais transversal destas soluções.

A adesão varia entre países. Os turistas alemães são os que mais reconhecem o impacto da IA na facilitação do planeamento, enquanto em Espanha se destaca a procura de informação sobre pontos de interesse nos destinos. Já em Itália, a confiança na tecnologia é maior quando o objetivo passa por recomendações personalizadas e poupança financeira.

Apesar da utilização crescente, mais de metade dos turistas europeus reconhece riscos na partilha de dados pessoais com serviços de planeamento baseados em IA, como datas de viagem, destinos, documentos de identificação ou bilhetes. Esta perceção leva muitos utilizadores a evitarem a divulgação de informação sensível, uma atitude que especialistas em cibersegurança consideram positiva.

Em contrapartida, uma parte significativa dos inquiridos acredita não existirem riscos relevantes, embora admita algum cuidado na informação fornecida. Esta confiança moderada pode traduzir-se numa maior exposição a problemas de segurança, caso os perigos sejam subestimados, alertam os analistas. Espanha surge como o país mais cauteloso, enquanto no Reino Unido existe uma minoria que assume confiar plenamente no tratamento seguro dos dados por estas plataformas.

A evolução tecnológica já permite criar itinerários personalizados em poucos cliques, ajustados a preferências e orçamentos específicos. No entanto, a informação gerada por chatbots deve ser validada de forma independente, uma vez que existem registos de problemas causados por confiança excessiva em respostas automáticas sem confirmação adicional. O mesmo cuidado é aconselhado na análise de links fornecidos por estas ferramentas, que podem encaminhar para conteúdos maliciosos ou tentativas de phishing.

Avaliação global é maioritariamente positiva

Apesar das reservas, a experiência global dos turistas europeus com o uso de IA no planeamento de viagens é amplamente favorável, com mais de 90% a classificá-la como boa ou perfeita. As avaliações negativas são residuais, ficando abaixo de 1%. Espanha lidera nos níveis de satisfação, enquanto o Reino Unido apresenta a maior percentagem de utilizadores neutros.

Para reduzir riscos, é aconselhável ter uma abordagem prudente: limitar a partilha de dados pessoais, reservar para o utilizador as ações mais sensíveis, como pagamentos ou reservas, e validar ligações e comunicações com ferramentas de segurança adequadas. A IA pode ser um assistente eficaz no planeamento de viagens, desde que utilizada como complemento e não como substituto do juízo humano, sobretudo quando estão em causa dados financeiros e de identificação.

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