Que as PME estão mais predispostas a contratar um seguro de cibersegurança por recomendação profissional ou por riscos percebidos (como os associados à inteligência artificial) do que por terem sofrido um ciberincidente, é uma das conclusões que a GlobalData extrai a partir da sua pesquisa com as PME de 2025, na qual se analisa quais fatores impulsionam a contratação de apólices e como evoluem os critérios de compra.
De acordo com os resultados, o aconselhamento é o principal motor da decisão, sendo a recomendação de um corretor o fator individual mais citado (39%), e o aconselhamento de consultores financeiros também se situa em níveis elevados (33,8%). Paralelamente, a adoção da IA consolida-se como uma fonte de preocupação: 35,8% dos inquiridos apontam-na como uma das considerações mais relevantes na hora de contratar.
O risco associado à adoção da IA situa-se como o segundo grande impulsionador da compra, à frente de ter sofrido um ciberataque ou de um concorrente o ter sofrido. Na pesquisa, ter sido vítima de um ciberincidente fica em 27,7%, e o impacto de um ataque a uma empresa concorrente em 26%. Esses dados sugerem uma mudança do critério “reativo” para um mais preventivo, no qual o mercado busca antecipar ameaças e responsabilidades emergentes.
Neste contexto, o papel do intermediário ganha relevância como elemento de tradução entre risco tecnológico e cobertura de seguro. A GlobalData aponta que corretores e consultores podem desempenhar um papel fundamental na avaliação das necessidades e na adequação dos produtos. A tendência é reforçada por fatores externos, como a influência das informações na mídia, que, em conjunto, pesam mais do que a experiência direta de incidentes na hora de ativar a compra.
A expansão da IA está a abrir uma possível lacuna entre o que as empresas acreditam que a sua apólice cobre e o que ela realmente inclui. A análise destaca que muitas apólices padrão de ciberseguro não mencionam explicitamente a cobertura de incidentes relacionados à IA, o que pode gerar expectativas desalinhadas.
Em particular, é apontado que geralmente ficam fora da cobertura as perdas decorrentes de uma ferramenta de IA própria produzir resultados errados (por exemplo, em um chatbot) ou litígios relacionados a vieses nos dados utilizados por algoritmos. Por outro lado, é comum que o seguro cibernético contemple perdas relacionadas a ataques executados por hackers que utilizam IA.
Este desajuste leva a uma revisão da forma como a oferta é estruturada, e a GlobalData propõe duas vias: incorporar extensões específicas que contemplam incidentes relacionados com IA ou, quando o perfil de exposição assim o exigir, combinar o seguro cibernético com apólices especializadas que abordem estes riscos de forma explícita.
A tese subjacente é que, à medida que a abordagem preventiva se consolida, produtos mais restritos e especializados poderiam reduzir as barreiras à entrada e melhorar o ajuste entre a proteção e as necessidades reais das PME.
O relatório também adverte que nem todas as empresas poderão assumir o preço de uma apólice ou os investimentos associados, como atualizações de software, que podem acompanhar a contratação. Neste cenário, sugere-se que as seguradoras priorizem o desenvolvimento de coberturas centradas nos riscos mais comuns para este tipo de organizações, com o objetivo de reduzir a barreira de acesso sem diluir a proteção.







