Interligação da Internet ruma ao espaço

DE-CIX avança com o programa Space-IX, preparando o terreno para a primeira plataforma de interconexão de redes em órbita, numa altura em que a economia espacial acelera e a comunicação via satélite ganha nova relevância.
9 de Setembro, 2025

A DE-CIX apresentou, no âmbito da conferência YOTTA em Las Vegas e Nova Iorque, o projeto Space-IX, que visa levar o modelo de interconexão de redes para além da infraestrutura terrestre e criar o primeiro Internet Exchange em órbita. A iniciativa pretende ligar constelações de satélites de baixa órbita (LEO) e outros ativos espaciais entre si e com os ecossistemas digitais na Terra.

O operador, que atualmente interliga mais de 4.000 redes em mais de 60 pontos de troca de tráfego na Terra, procura com o Space-IX aplicar o mesmo princípio de neutralidade e desempenho no espaço. A visão é que os satélites e outros equipamentos orbitais se tornem parte da cadeia digital global e possam trocar tráfego de forma direta, reduzindo a latência e aumentando a resiliência das comunicações.

No quadro europeu, a empresa está já a colaborar com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) no projeto OFELIAS, da Agência Espacial Europeia. O trabalho conjunto foca-se em melhorar as ligações óticas por laser entre satélites e estações terrestres, uma tecnologia que promete maior velocidade face às transmissões de rádio, mas que exige algoritmos e protocolos capazes de lidar com obstáculos como a cobertura de nuvens e a interferência atmosférica.

Embora a colocação de centros de dados em órbita ainda seja uma possibilidade distante, a preparação de soluções de interconexão já está em curso. O objetivo passa por criar uma arquitetura que una o espaço e a Terra num único ecossistema digital, permitindo a utilização de satélites para fornecer banda larga em regiões sem cobertura, suportar aplicações de inteligência artificial ou viabilizar análises orbitais em tempo real.

O programa Space-IX tem também expressão em mercados emergentes. Em agosto, a filial indiana da DE-CIX integrou a rede Starlink no seu ecossistema, tornando-se a primeira plataforma de troca de tráfego no país a oferecer este tipo de ligação. A interligação de operadores de satélite com redes terrestres é vista como essencial para aplicações sensíveis à latência, como o acesso a serviços em nuvem e a transmissão de conteúdos digitais.

O enquadramento económico reforça a aposta. A economia espacial poderá atingir 1,8 biliões de dólares até 2035, segundo estimativas divulgadas no setor. Neste cenário, a DE-CIX defende que é fundamental que as redes orbitais não evoluam de forma isolada, mas que sejam integradas de forma inteligente com as infraestruturas de telecomunicações e computação já existentes na Terra.

Opinião