A proliferação de plataformas de inteligência artificial veio criar novos canais de venda, habitualmente designados por comércio através de agentes autónomos, mas trouxe também uma complexidade técnica acrescida para o retalho. Cada ecossistema opera sob protocolos distintos, exige formatos específicos para os dados dos produtos e apresenta requisitos próprios para a criação de carrinhos de compras e finalização de transações. Na ausência de uma norma unificada, a expansão para cada nova plataforma de conversação tem exigido o desenvolvimento de um projeto de integração tecnológica isolado e independente.
Para responder a este cenário, foi desenvolvida a solução Adyen Agentic, que funciona através de um modelo de integração única. Esta tecnologia traduz uma ligação exclusiva do comerciante para todas as plataformas de agentes, protocolos e métodos de pagamento em evolução, evitando reestruturações constantes do sistema informático à medida que o mercado se transforma. A arquitetura foi estruturada em três camadas independentes e modulares que cobrem todo o percurso do consumidor.
A primeira componente, focada na distribuição de dados, partilha as informações do catálogo de produtos, preços e disponibilidade de inventário em tempo real com as plataformas conversacionais. A segunda camada funciona como um elo de ligação, interligando as ferramentas de faturação, cálculo de impostos, logística de distribuição e gestão de pedidos já existentes nos retalhistas aos novos ambientes de inteligência artificial. Por fim, a vertente financeira assegura a autenticação, a portabilidade de credenciais digitais de pagamento, a gestão de risco de fraude e a manutenção do registo do comerciante original durante a transação.
Esta infraestrutura assenta na plataforma de nível empresarial que a empresa tecnológica já operava, utilizando os mesmos mecanismos de segurança e processamento de dados que movimentam biliões de dólares anualmente. Ao adotar uma filosofia de ecossistema aberto, os comerciantes retêm o controlo direto sobre as relações com os clientes, o encaminhamento financeiro e a lógica de negócio, mantendo a compatibilidade com os sistemas de comércio eletrónico que já se encontram em funcionamento nas empresas.
A estratégia evita que os gestores de tecnologia tenham de selecionar antecipadamente quais os ecossistemas de inteligência artificial que vão dominar o mercado a longo prazo. A flexibilidade do sistema permite que o retalho adote uma postura de experimentação prática sem o risco financeiro de investimentos redundantes em engenharia de software, priorizando a interoperabilidade em detrimento de ambientes informáticos fechados.
Nesta fase de lançamento, o sistema apresenta uma disponibilidade limitada, estando circunscrito aos grandes comerciantes que operam no mercado dos Estados Unidos, embora esteja planeada uma expansão para outras geografias numa fase posterior. O projeto arranca com o suporte de parceiros estratégicos do setor financeiro e tecnológico, incluindo a American Express, Mastercard, Salesforce e Visa, além de retalhistas como a ESW, Scheels, Sézane e SharkNinja.
As soluções de pagamento integradas visam construir uma base segura e escalável para transações automatizadas por máquinas, garantindo que os dados dos produtos sejam facilmente interpretados por modelos informáticos. A preparação das infraestruturas financeiras globais para a era da automação autónoma foca-se na introdução de garantias de aceitação e segurança na origem da transação, independentemente do canal onde esta se inicie.
A nível de compatibilidade, o sistema assegura a ligação direta aos mecanismos de finalização de compra por inteligência artificial da Meta. Adicionalmente, esta arquitetura complementa o envolvimento da tecnológica como participante inicial no Protocolo de Comércio Universal, desenvolvido em parceria pela Google e outras entidades do setor, bem como a conformidade com o Protocolo de Pagamentos por Agente e o Protocolo de comércio para agentes da OpenAI. A convergência em torno destas normas indica um esforço do setor para que o futuro do comércio digital assente em redes interoperáveis e não em plataformas isoladas.







