Investimento em IA cresce, mas exige disciplina para conter custos

Sete em cada dez CIO planeiam aumentar o investimento em inteligência artificial, mas o crescimento implica riscos e requer uma abordagem rigorosa para manter os custos sob controlo.
27 de Outubro, 2025

O investimento em inteligência artificial (IA) vai acelerar nos próximos meses, segundo um estudo da Bain & Company, mas o desafio para os CIO passa agora por escalar essa tecnologia sem deixar que os custos escapem ao controlo. De acordo com o inquérito Scaling AI While Controlling Tech Costs, realizado pela consultora, 70% dos responsáveis tecnológicos inquiridos planeiam aumentar o orçamento para IA em mais de 5%.

A amostra do estudo compreendeu 480 decisores da área tecnológica. Entre os que preveem reforçar os gastos com IA, 31% apontam para aumentos entre 5% e 10%, 25% entre 10% e 20%, e 13% entre 20% e 50%. O estudo revela que os CIO estão conscientes do potencial da IA para aumentar a eficiência e gerar poupanças, ainda que o seu impacto orçamental imediato nem sempre seja positivo.

A análise da Bain sublinha que a IA pode ajudar a reduzir custos ao identificar despesas escondidas, melhorar a eficiência operacional e otimizar a utilização da infraestrutura tecnológica, incluindo a deteção de software que já não está a ser utilizado. No entanto, estes benefícios não são automáticos e exigem disciplina na sua implementação.

João Valadares, sócio da Bain & Company, sublinha que a IA está a tornar-se uma alavanca crítica para combinar crescimento e eficiência, reforçando o papel estratégico dos líderes tecnológicos. O estudo destaca que as empresas estão mais recetivas a investir na tecnologia, mesmo reconhecendo que esta pode aumentar a complexidade da gestão de sistemas e infraestruturas.

Apesar do otimismo, a Bain alerta para desafios emergentes relacionados com a adoção da IA, como o aumento dos custos com software e serviços em cloud, a maior exigência em termos de dados e arquitetura, e ciclos tecnológicos mais curtos, que exigem uma capacidade de adaptação constante.

Para responder a estes riscos, a consultora sugere três abordagens prioritárias para controlar os custos enquanto se expande o uso de IA nas empresas:

Em primeiro lugar, financiar a IA com os ganhos gerados pela própria IA, aproveitando as melhorias de eficiência para equilibrar os novos investimentos. Este efeito de retroalimentação pode permitir que a própria poupança financie a transformação.

Em segundo lugar, simplificar com disciplina, através da definição de arquiteturas claras, da escolha de modelos de IA ajustados à complexidade de cada tarefa e da adoção de padrões de governança rigorosos, que evitem a proliferação desordenada de soluções.

Por fim, integrar a IA no modelo operacional da organização, o que implica repensar ferramentas, processos, práticas de gestão e cultura interna, garantindo que a tecnologia está alinhada com a forma como o negócio funciona no dia a dia.

A integração estratégica da IA nas operações não é apenas uma questão tecnológica, mas também organizacional, e exige visão de longo prazo por parte dos CIO e da gestão de topo.

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