O mercado mundial de módulos de conectividade para a Internet das Coisas voltou a crescer em 2025, depois de uma fase de abrandamento provocada pelo excesso de inventário acumulado nos armazéns dos clientes. Segundo dados recolhidos pela Berg Insight, os envios de módulos celulares para IoT atingiram 612 milhões de unidades em 2025, mais 33% do que no ano anterior.
Estes módulos são componentes que permitem a ligação de equipamentos, sensores, terminais e máquinas às redes móveis. Estão presentes em múltiplos setores, da indústria aos pagamentos, passando pela logística, energia, saúde ou cidades inteligentes. No caso dos dados apresentados, ficam excluídos os componentes destinados especificamente ao setor automóvel.
A recuperação também se refletiu nas receitas. As vendas anuais cresceram 19%, para 5,6 milhões de dólares, num movimento que foi igualmente impulsionado pela entrada em vigor de novas regras locais em mercados relevantes, como Espanha e China. Para os fabricantes, esta retoma representa uma normalização gradual da procura, depois de um ciclo em que muitos clientes reduziram encomendas para escoar inventário já disponível.
O ritmo positivo manteve-se durante a primeira metade de 2026. No entanto, a indústria passou a enfrentar um obstáculo diferente. O principal problema deixou de ser a falta de peças e passou a ser a pressão sobre os custos dos componentes, numa cadeia de fornecimento cada vez mais condicionada pela procura associada à inteligência artificial.
A razão está na forma como os fabricantes de memórias estão a orientar a sua capacidade produtiva. Uma parte relevante dessa produção está a ser canalizada para produtos de grande largura de banda, usados em servidores de IA e na infraestrutura dos centros de dados. Esta prioridade industrial está a encarecer componentes que também são necessários nos módulos de conectividade.
O impacto não é igual em todos os segmentos. Os módulos 5G são os mais afetados pela subida do preço das memórias, porque exigem maior capacidade de armazenamento e recorrem a tecnologias de acesso aleatório mais complexas. Já os dispositivos baseados em redes 4G LTE sofrem um efeito menos acentuado, por dependerem de tecnologias mais antigas e menos exigentes.
Perante este cenário, os fornecedores começaram a adoptar revisões periódicas de preços e mecanismos contratuais destinados a gerir a volatilidade da cadeia de abastecimento. Para os compradores empresariais, esta mudança pode traduzir-se em maior imprevisibilidade nos custos de projetos IoT, sobretudo nos casos em que a adoção de 5G seja uma condição técnica ou estratégica.
A concentração do mercado mantém-se elevada. Cinco fabricantes concentraram 73% das receitas globais do setor: Quectel, Fibocom, Telit Cinterion, MeiG e China Mobile IoT. Quando a análise é feita por volume de unidades distribuídas, destacam-se sobretudo empresas asiáticas como Sunsea AIoT e Lierda, além da Quectel, China Mobile IoT e Fibocom, beneficiando da escala do mercado interno chinês.
A ZXInfoTek ganhou também presença no segmento dos terminais de ponto de venda, uma área em que a conectividade celular continua a ser relevante para garantir operação em mobilidade, redundância ou funcionamento fora de redes fixas tradicionais.
A evolução do mercado de processadores celulares para IoT confirma a mesma dinâmica de crescimento. Em 2025, foram distribuídos 706 milhões de processadores celulares para Internet das Coisas, excluindo novamente o sector automóvel. Empresas como ASR Microelectronics, Eigencomm e Xinyi cresceram no volume de processadores destinados a redes de baixo consumo, usadas em aplicações onde a autonomia energética e o custo por dispositivo são fatores determinantes.
A Qualcomm mantém uma posição significativa nos segmentos de maior desempenho em 4G e na conectividade de quinta geração. Esta diferença entre fornecedores reflecte a fragmentação técnica do mercado IoT, onde coexistem equipamentos de baixo consumo, dispositivos industriais, soluções de pagamento, aplicações móveis e projectos que exigem maior largura de banda.
As previsões apontam para uma expansão mais moderada nos próximos anos. Até 2030, os envios de módulos celulares para IoT deverão crescer a uma taxa média anual composta de 7%, ultrapassando os 878 milhões de unidades. O setor entra, assim, numa fase em que o crescimento parece sustentado, mas em que a gestão de custos, fornecedores e tecnologias de rede será cada vez mais relevante para as empresas que planeiam projetos de conectividade em larga escala.







