Já chega de reviews falsas? 

É domingo ao final do dia, pouca vontade para cozinhar. Abrimos a app de entregas e encontramos um restaurante com avaliação de 4.9 e críticas como “os melhores sabores de sempre” ou “ingredientes super frescos”. Encomendamos. Mas o que nos chega à porta é um prato gorduroso e sem sabor, muito longe daquilo que prometia. Parece-lhe familiar? É porque já aconteceu a (quase) toda a gente.
11 de Setembro, 2025

O problema das avaliações falsas online não é novo, mas piorou com a chegada da Inteligência Artificial generativa. Hoje, qualquer plataforma pode ser invadida por críticas automáticas escritas por bots. Humanos reais perdem tempo a filtrar conteúdo enganador, enquanto as marcas honestas são renegadas para segundo plano. A verdade é que, mesmo antes de sabermos se algo é bom ou mau, é preciso garantir uma coisa mais básica: estamos sequer a lidar com um ser humano? 

Diversas plataformas digitais têm tentado resolver o problema. Desde os CAPTCHA aos códigos SMS, tudo para assegurar que cada conta corresponde a uma pessoa real. Ainda assim, as contas falsas persistem. 

É aqui que entra uma nova geração de tecnologias: a prova de humanidade. Estas são formas de verificar anonimamente se alguém é humano sem pedir nome, e-mail ou género. 

Estas soluções já estão mais próximas do dia a dia do que parece. Usamos o Face ID ou o sensor do Android para desbloquear o telefone, o Facebook e o Instagram bloqueiam perfis falsos com reconhecimento facial, no universo Web3 a BrightID confirma que cada utilizador é único através da sua rede social e o World ID promove uma tecnologia de prova de humanidade, privada e anónima.  

E para quê tudo isto? Para que cada review online venha de uma pessoa real, não de um bot programado. Este fator aumenta a confiança nos comentários e contribui para que haja concorrência mais justa entre marcas e serviços. 

Em Portugal ainda não temos números concretos sobre a quantidade de avaliações falsas, mas os dados europeus já são um sinal de alerta. Segundo o relatório Consumer Conditions Scoreboard 2025, da Comissão Europeia, 66% dos consumidores europeus dizem ter encontrado avaliações enganosas ao fazer compras online. 

No fundo, o que está em causa é a qualidade da internet que queremos. Uma internet onde as recomendações nos ajudam a decidir com confiança, e na qual não haja perda de tempo ou, por conseguinte, de dinheiro. Porque a tecnologia pode, e deve, servir para recuperar essa confiança. 

Rebecca Hahn é Chief Communications Officer na Tools for Humanity 

Opinião