Kaspersky aposta nas passkeys

Uma análise recente da Kaspersky mostra que a maioria das passwords comprometidas viola regras básicas de segurança e permanece inalterada durante anos. Perante este cenário, a empresa integrou a tecnologia Passkey no Kaspersky Password Manager, acompanhando a mudança do setor para métodos de autenticação mais robustos.
26 de Dezembro, 2025

Apesar de continuarem a ser um dos métodos de autenticação mais utilizados, as passwords já não correspondem às exigências atuais de segurança. A investigação mais recente da Kaspersky indica que uma parte significativa das passwords comprometidas não cumpre as diretrizes básicas e permanece ativa durante longos períodos, o que reduz drasticamente a sua eficácia como mecanismo de proteção de contas.

O problema não é apenas técnico, mas também humano. As passwords continuam a ser criadas pelos próprios utilizadores, muitas vezes com base em padrões previsíveis, o que facilita ataques automatizados e explorações em larga escala. Para avaliar esta realidade, os especialistas da empresa analisaram fugas de passwords ocorridas entre 2023 e 2025 e identificaram tendências recorrentes.

Entre os dados apurados, destaca-se o uso frequente de números associados a datas. Cerca de 10% das credenciais analisadas incluem números semelhantes a anos entre 1990 e 2025, sendo que 0,5% terminam em “2024”, o equivalente a uma em cada 200 passwords divulgadas. Este tipo de escolha reduz significativamente o esforço necessário para ataques de força bruta.

Outro padrão recorrente é a utilização de combinações extremamente simples. A sequência “12345” surge como a mais comum, acompanhada por palavras como “amor”, nomes próprios, nomes de utilizador ou referências a países. Estes elementos, embora fáceis de memorizar, comprometem seriamente a segurança das contas.

A análise revela ainda um problema estrutural na gestão de credenciais. Mais de metade das passwords divulgadas em 2025, concretamente 54%, já tinham surgido em fugas de dados anteriores, o que confirma a reutilização prolongada de passwords desatualizadas. A vida útil média destas credenciais situa-se entre 3,5 e 4 anos, um período considerado excessivo face ao ritmo atual das ameaças digitais.

Este conjunto de conclusões reforça a fragilidade da autenticação baseada exclusivamente em passwords quando não existem práticas rigorosas de criação, gestão e armazenamento. Perante este contexto, a indústria de cibersegurança tem vindo a direcionar-se para soluções de nova geração, como as passkeys, que procuram eliminar várias das vulnerabilidades associadas às passwords tradicionais.

As passkeys baseiam-se em criptografia e, em muitos casos, em biometria, dispensando a introdução manual de credenciais. Este modelo não está sujeito a técnicas como phishing ou à exposição direta de passwords em fugas de dados, uma vez que cada passkey é criada para uma conta e plataforma específicas e armazenada no dispositivo do utilizador ou num gestor de passwords.

No caso do Kaspersky Password Manager, a integração desta tecnologia pretende resolver um dos principais desafios das passkeys: a utilização em múltiplos dispositivos. As passkeys passam agora a poder ser criadas e armazenadas diretamente no gestor da Kaspersky, permitindo iniciar sessão em serviços compatíveis com um único clique e aceder às mesmas credenciais em diferentes equipamentos através de sincronização segura.

A funcionalidade já se encontra disponível na versão mais recente do Kaspersky Password Manager em todas as plataformas. Para criar uma passkey, o utilizador deve atualizar a aplicação, conceder as permissões necessárias e seguir as instruções apresentadas no momento do registo num serviço compatível. O objetivo é simplificar o processo de autenticação sem comprometer a segurança, num momento em que as limitações das passwords se tornam cada vez mais evidentes para utilizadores e organizações

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