O principal obstáculo à criação de valor com inteligência artificial continua a não estar nos modelos, mas na forma como as empresas organizam os seus processos. Quase metade das organizações ainda revela dificuldades em converter investimento em IA em resultados concretos, um sinal de que os atuais modelos de governação e de operação permanecem demasiado ligados a uma lógica manual e pouco preparada para sistemas autónomos.
É precisamente sobre esse ponto que assenta a nova proposta da Kyndryl, que apresentou uma oferta de gestão de serviços orientada para organizar fluxos de trabalho autónomos em ambiente empresarial. A iniciativa pretende ajudar as organizações a ultrapassar o bloqueio causado por processos manuais, criando uma transição mais estruturada para modelos automatizados em larga escala.
A base da abordagem passa por avaliar o grau de preparação operacional das empresas para trabalharem com agentes autónomos, tomando como referência a norma ISO 42001. A partir desse diagnóstico, a proposta traduz-se num plano de ação personalizado e faseado, desenhado para modernizar políticas de segurança e operações informáticas em ambientes cloud.
O ponto central da proposta da Kyndryl está na passagem de uma avaliação abstrata para um roteiro operacional concreto, algo particularmente relevante para responsáveis de compras tecnológicas e líderes de TI que precisam de justificar investimento com impacto mensurável no negócio.
A oferta inclui ainda uma estrutura de confiança digital orientada para reduzir os riscos associados à implementação destes sistemas em setores regulados. Neste plano, a ênfase recai sobre a governação da IA em infraestruturas híbridas e multicloud, com atenção especial ao cumprimento normativo, à classificação da informação e à proteção de dados confidenciais.
Sem regras, supervisão humana e processos repetíveis, a automação não escala com segurança.Para organizações com sistemas críticos, este equilíbrio entre autonomia e controlo tende a tornar-se um dos principais critérios de decisão.
Outro elemento que reforça a consistência da proposta é o facto de a própria Kyndryl já utilizar internamente estas capacidades em larga escala. Atualmente, a empresa executa cerca de 200 milhões de ações automatizadas por mês, apoiadas por um catálogo com mais de 8.000 procedimentos normalizados, aplicando estas ferramentas na modernização dos seus próprios processos operacionais.
Este dado é relevante porque desloca a discussão da promessa para a prática. A proposta empresarial da Kyndryl procura responder menos ao entusiasmo em torno da IA e mais ao problema concreto da sua operacionalização dentro das empresas. Para o mercado português, onde muitas iniciativas continuam concentradas em pilotos ou provas de conceito, esta dimensão de maturidade operacional poderá pesar cada vez mais nas decisões de investimento.







