O LinkedIn está a introduzir um conjunto amplo de ferramentas de inteligência artificial destinadas a acelerar a identificação de oportunidades profissionais e a ligação entre candidatos e recrutadores. A plataforma aposta numa pesquisa que entende a intenção do utilizador, permitindo consultas em linguagem natural e respostas ajustadas ao perfil de cada pessoa.
Segundo a empresa, esta abordagem procura reduzir o tempo gasto na análise manual de descrições de funções e melhorar a pertinência dos resultados apresentados. A nova pesquisa utiliza modelos capazes de interpretar pedidos mais específicos, o que, na prática, amplia o tipo de funções sugeridas e revela opções menos óbvias para perfis compatíveis.
A empresa explica que, no passado, pesquisas com expressões como “posição de entrada na área de marketing” devolviam resultados muito variados. A atualização introduz um mecanismo que capta melhor o sentido dos pedidos. Para ilustrar esta evolução, a empresa refere que uma consulta como “quero proteger os oceanos” passa a gerar respostas associadas a áreas como técnicas ambientais ou proteção de espécies marinhas, graças ao processamento semântico da IA.
As ferramentas de pesquisa baseadas em IA já estão disponíveis nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Índia e Singapura. A expansão global está prevista para 2026, segundo informação partilhada pela empresa.
Outra novidade é o People Search, funcionalidade que permite aos candidatos encontrar ligações dentro das empresas a que pretendem candidatar-se. O recurso identifica pessoas que possam servir de referência, algo que antes não surgia através da pesquisa tradicional. A empresa destaca que esta capacidade permite aos utilizadores fazer perguntas simples como “quem me pode recomendar para a Accenture” e obter ligações relevantes dentro do seu próprio círculo.
O People Search está, por enquanto, limitado a subscritores premium nos Estados Unidos, mas a empresa planeia alargar a funcionalidade a nível global e torná-la acessível gratuitamente nos próximos meses.
Esta aposta surge numa altura em que várias organizações recorrem a sistemas automatizados para triagem de candidatos, prática que tem gerado receios sobre viés e falta de transparência. O LinkedIn realça que estas ferramentas combinam automação com interação humana, procurando equilibrar eficiência e acompanhamento pessoal.
As ferramentas agora introduzidas também têm como objetivo evitar candidaturas desalinhadas, identificando lacunas de competências e mostrando aos utilizadores funções mais ajustadas ao seu perfil. A empresa indica que cerca de dois milhões de candidaturas por mês estão a ser redirecionadas para funções mais adequadas, o que reduz tentativas pouco relevantes e melhora a qualidade das aplicações apresentadas.
Do lado das empresas, o sistema destaca candidatos com maior correspondência ao perfil procurado. A plataforma refere que esta capacidade de correspondência em ambos os lados, começa agora a produzir resultados visíveis.
A base tecnológica destes novos recursos assenta num sistema de recomendação suportado por modelos de grande dimensão executados em GPUs, substituindo a abordagem anterior baseada em CPUs.
O LinkedIn confirma ainda que, embora o foco atual esteja em funções a tempo inteiro, está a analisar a inclusão de trabalho temporário e por projeto, segmento que representa entre 5% e 15% da população trabalhadora nos Estados Unidos, segundo dados recentemente divulgados.
A empresa admite que, à medida que o sistema evoluir, poderão surgir funcionalidades adicionais, como a recomendação de mentores com base na atividade dos utilizadores na plataforma.







