Lisboa ganha peso no mapa global da interligação digital

O ponto de troca de tráfego da DE-CIX em Lisboa duplicou a capacidade instalada em 2025, reforçando o papel da capital portuguesa como plataforma de ligação entre Europa, África e Américas. O crescimento acompanha a pressão exercida pela inteligência artificial e pelos serviços de cloud sobre as infraestruturas de Internet e surge num momento em que a operadora alemã acelera a expansão internacional e aposta em modelos de interligação automatizados.
15 de Maio, 2026

A DE-CIX duplicou em 2025 a capacidade instalada da sua operação em Lisboa, que passou para 1,8 Terabits, consolidando a posição da capital portuguesa como um dos pontos de interligação digital em crescimento no Sul da Europa. Segundo os dados divulgados pela empresa, a infraestrutura instalada na cidade permite suportar um volume equivalente a 594 mil transmissões simultâneas de vídeo em alta definição.

A operação portuguesa terminou 2025 com mais de 60 redes ligadas ou em processo de ligação e com um crescimento de 122% na capacidade instalada para troca de dados. O número de portas 100GE, utilizadas para ligações de elevada capacidade entre operadores e fornecedores de serviços, passou de cinco em 2024 para 16 em 2025, o que representa uma subida de 220%.

O pico de tráfego registado em Lisboa aumentou igualmente face ao ano anterior, crescendo 13% para 102,14 Gbit/s.

A empresa enquadra este crescimento numa transformação mais ampla do mercado europeu de interligação, impulsionada pela procura crescente de serviços de cloud, aplicações de inteligência artificial e pela necessidade de reduzir latência nas comunicações internacionais.

A DE-CIX considera que o Sul da Europa está a evoluir para um ponto de convergência entre Europa, África e Américas, com Lisboa, Madrid e Barcelona a formarem um mega-hub ibérico de interligação. Neste contexto, Lisboa e Marselha surgem como pontos relevantes para as rotas de tráfego entre África, Europa e ligações transcontinentais.

Segundo Theresa Bobis, responsável regional da DE-CIX para o Sul da Europa, a evolução das infraestruturas de cabos submarinos e das plataformas de interligação em Portugal está a permitir que operadores locais, bem como fornecedores africanos e latino-americanos, acedam diretamente a conteúdos e serviços que anteriormente dependiam de pontos de interligação concentrados em cidades como Londres ou Frankfurt. A responsável sublinha que essa aproximação reduz latência e custos operacionais.

A nível internacional, a DE-CIX afirma ter reforçado a sua posição como operador de Internet Exchange neutro em relação a centros de dados e operadores, mantendo a liderança na Europa, Médio Oriente e Índia e aproximando-se do terceiro lugar no mercado norte-americano.

A empresa registou em 2025 um aumento de 25% no número de redes ligadas globalmente, ultrapassando as 4.300, enquanto a capacidade total ligada cresceu 40% para 220 Terabits. Entre os desenvolvimentos tecnológicos destacados pela operadora está a implementação da primeira porta de cliente 800 GE em Frankfurt e um crescimento de 120% nas portas 400 GE em toda a rede internacional.

Durante 2025, a DE-CIX expandiu também a sua presença internacional com novas operações em São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade do México, Querétaro, Doha e Houston. A empresa enquadra estes investimentos na necessidade de preparar infraestruturas capazes de suportar cargas de trabalho associadas à inteligência artificial, tráfego de baixa latência e expansão dos serviços cloud.

A estratégia tecnológica da empresa passa igualmente pela automação da plataforma de interligação e pela evolução para um modelo de “Interconnection as a Service”, assente em APIs, serviços self-service e operações nativas para cloud.

Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX, defende que o desenvolvimento da inteligência artificial irá aumentar a relevância da infraestrutura de rede, sobretudo em áreas como capacidade, proximidade e latência. O responsável considera que a procura por exchanges de escala Terabit e portas de elevada capacidade reflete já essa mudança estrutural.

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