Lisboa reforça mapa europeu dos chips com sede da Furiosa AI

Lisboa vai acolher a sede europeia da sul-coreana Furiosa AI, numa decisão que concentra em Portugal as operações comerciais e de suporte para toda a Europa, bem como funções críticas de investigação em compiladores, desenho de chips e PCBs. A escolha da capital portuguesa reflete o peso crescente do ecossistema nacional de semicondutores, talento especializado e condições favoráveis ao investimento tecnológico.
9 de Abril, 2026

A sul-coreana Furiosa AI, especializada em chips para aplicações de inteligência artificial, anunciou a abertura da sua sede europeia em Lisboa, um movimento que dá a Portugal um papel central na estratégia continental da empresa. O novo escritório irá concentrar as operações comerciais e o suporte técnico para toda a Europa, acumulando também funções de investigação e desenvolvimento em compiladores, desenho de chips e PCBs.

Fundada em 2017 na Coreia do Sul, a empresa desenvolve chips de elevada eficiência energética orientados para cargas de trabalho de inteligência artificial, posicionando-se como alternativa aos GPU tradicionais. A oferta inclui servidores e placas aceleradoras concebidos para centros de dados convencionais, com um enfoque particular na redução de custos de infraestrutura.

Um dos principais argumentos tecnológicos da Furiosa AI está no chip RNGD, desenhado para operar dentro dos limites de centros de dados com arrefecimento a ar. Esta abordagem permite às organizações adoptar soluções de IA em centros de dados mais antigos sem necessidade de obras de adaptação, evitando investimentos adicionais em energia e refrigeração. Para decisores de compras tecnológicas, este ponto poderá revelar-se determinante em projetos de modernização de infraestruturas já instaladas.

A expansão internacional da empresa surge também apoiada por recentes acordos com dois grupos tecnológicos da Coreia do Sul. A Samsung SDS avançou com um novo serviço cloud de computação de IA suportado pelo chip RNGD. Em paralelo, a LG AI Research apresentou uma solução integrada que junta o mesmo processador ao modelo EXAONE 4.0 e à plataforma ixi-Enterprise, num servidor preparado para operação onpremise e sem ligação à internet. Estas integrações reforçam o posicionamento da Furiosa AI em cenários de IA soberana e em implementações empresariais de grande escala.

A escolha de Lisboa resultou de uma avaliação de várias cidades europeias. Entre os fatores decisivos estiveram a maturidade do ecossistema português no desenho de chips, a disponibilidade de especialistas em compiladores e a proximidade a instituições académicas e centros de investigação com reconhecimento internacional. A estes elementos juntam-se a qualidade do mercado de talento técnico e um enquadramento favorável ao investimento estrangeiro.

Enquanto sede europeia, o escritório de Lisboa terá um mandato transversal dentro da organização. Além da gestão comercial do mercado europeu e do suporte a clientes e parceiros, assumirá atividades de I&D em duas áreas sensíveis para a otimização de sistemas de IA: compiladores e desenho de chips e placas eletrónicas. A combinação entre funções de negócio e desenvolvimento tecnológico confere à operação portuguesa um peso singular na estrutura global da empresa.

A liderança ficará a cargo de Nuno Lopes, que assume a direção da Furiosa AI Europa em simultâneo com a sua atividade como professor e investigador no Instituto Superior Técnico. O responsável traz experiência acumulada na Apple e na Microsoft Research, com especialização na área de compiladores, uma competência central para a eficiência do software que corre sobre hardware de IA.

A abertura da sede europeia enquadra-se ainda na estratégia da empresa para responder à procura por alternativas tecnológicas mais próximas das exigências regulatórias e operacionais do mercado europeu. Num contexto de investimento crescente da Europa em infraestruturas de inteligência artificial, a presença em Lisboa aproxima a Furiosa AI de empresas, entidades públicas e projetos de investigação que procuram soluções com maior controlo operacional e integração local.

A empresa prevê reforçar o investimento em investigação e desenvolvimento em Portugal, apostando na formação de talento, em parcerias com universidades e centros de investigação, e na colaboração com startups e integradores de soluções de IA. Para o ecossistema nacional, a chegada da sede europeia representa mais um sinal de maturidade do mercado português nas áreas de semicondutores e computação avançada.

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