Luz como plataforma de eficiência e circularidade

Num momento em que empresas e cidades enfrentam pressão crescente para reduzir consumos energéticos e emissões, a Signify apresentou o programa Brighter Lives, Better World 2030. A iniciativa pretende posicionar a iluminação como uma peça central na transição energética e na economia circular, apostando em soluções LED, sistemas conectados e novos modelos de negócio orientados para eficiência e reutilização.
9 de Março, 2026

A Signify apresentou o programa Brighter Lives, Better World 2030, uma nova fase da estratégia de sustentabilidade da empresa focada na expansão da iluminação energeticamente eficiente e na utilização mais racional de recursos. A iniciativa procura responder a um contexto marcado por maior procura de eletricidade, volatilidade nos preços da energia e pressão crescente sobre matérias-primas, fatores que têm impacto direto nas decisões tecnológicas de empresas e administrações públicas.

O programa estrutura-se em torno de três objetivos principais: melhorar a qualidade de vida através da iluminação, reduzir o consumo energético associado aos sistemas de luz e promover um uso mais eficiente de materiais e recursos ao longo do ciclo de vida dos produtos.

A empresa pretende aumentar até 2030 a proporção de receitas provenientes de soluções que geram benefícios para além da iluminação, passando de 31% registados em 2024 para 41%. Na prática, trata-se de tecnologias que utilizam a iluminação como plataforma para outros resultados, como ambientes interiores mais confortáveis e produtivos, maior segurança em espaços urbanos ou aplicações ligadas à produção alimentar e à iluminação solar em regiões sem acesso à rede elétrica.

Esta abordagem reflete uma tendência crescente no setor. A iluminação deixou de ser apenas um elemento de infraestrutura básica para assumir um papel mais amplo em ambientes conectados e em estratégias de eficiência energética.

Eficiência energética como motor da transição

No centro do novo programa está a aposta continuada em tecnologia LED e em sistemas de iluminação conectada. Estas soluções permitem controlar e ajustar o funcionamento das luminárias em função da ocupação, da luminosidade natural ou de horários programados, reduzindo consumos e custos operacionais.

Até 2030, a Signify compromete-se a permitir aos seus clientes uma poupança acumulada de 60 terawatts-hora de energia e a reduzir em 35% a intensidade anual de emissões de CO₂ associadas ao seu portfólio.

A empresa já vinha a trabalhar nesta área através do programa Green Switch, lançado em 2020, que apoiou mais de 37 mil projetos de modernização de iluminação em cidades de todo o mundo. Segundo os dados divulgados pela empresa, mais de 10 mil autoridades locais utilizaram esta iniciativa para substituir sistemas convencionais por iluminação LED conectada.

A evolução deste programa, agora designada Signify Switch, pretende ir além da simples substituição tecnológica. O objetivo é apoiar organizações na escolha de produtos, sistemas e serviços de iluminação mais adequados, bem como na identificação de fontes de financiamento para projetos de eficiência energética.

Para responsáveis de TI ou gestores de infraestrutura, esta abordagem traduz-se numa integração mais direta entre iluminação, gestão energética e plataformas digitais de monitorização.

Economia circular entra na estratégia de produto

Outra vertente central do programa passa pela integração de princípios de economia circular no desenho e na utilização das soluções de iluminação.

A Signify pretende ampliar a oferta de produtos concebidos para durar mais tempo, serem atualizáveis, reparáveis e recicláveis, reduzindo assim a necessidade de matérias-primas e energia ao longo do ciclo de vida. A lógica segue o modelo descrito pela empresa como “usar menos, usar mais tempo e usar novamente”.

Para estruturar esta estratégia, a empresa anunciou a criação da iniciativa Signify Circle, dirigida sobretudo a clientes profissionais. O programa agrupa diferentes tipos de soluções e modelos de negócio, incluindo produtos concebidos para circularidade, serviços de iluminação como serviço, remanufatura de equipamentos e kits de atualização de componentes.

Este tipo de abordagem está a ganhar espaço no mercado empresarial, sobretudo em contratos de longo prazo em que o fornecedor mantém responsabilidade sobre o equipamento e a sua manutenção, permitindo prolongar a vida útil dos sistemas.

Na Europa, a empresa pretende aumentar a fatia de receitas provenientes de produtos e serviços circulares no negócio profissional de 10% para 27,5% até 2030.

Sustentabilidade como eixo estratégico

O programa Brighter Lives, Better World 2030 surge também como continuidade de compromissos anteriores da empresa em áreas como neutralidade carbónica, práticas industriais com menor impacto ambiental e condições de trabalho ao longo da cadeia de valor.

A Signify mantém a meta de alcançar neutralidade carbónica até 2040 e compromete-se a apresentar atualizações regulares sobre o progresso do programa. Os resultados associados a esta estratégia passarão a ser reportados trimestralmente em conjunto com os resultados financeiros da empresa.

Para organizações que gerem grandes infraestruturas de iluminação, desde edifícios corporativos a redes de iluminação pública, a evolução destas soluções coloca a iluminação no centro de uma agenda mais ampla que envolve eficiência energética, digitalização e gestão de ativos a longo prazo.

Num mercado onde o custo da energia e as metas ambientais têm cada vez mais peso nas decisões de investimento, a iluminação tende a assumir um papel mais estratégico do que tradicionalmente lhe era atribuído.

Opinião