Malware SparkCat regressa com maior sofisticação e infiltra apps legítimas

Uma nova variante do trojan SparkCat voltou a contornar os mecanismos de segurança das principais lojas de aplicações móveis, escondendo-se em apps aparentemente legítimas e focando-se no roubo de dados associados a carteiras de criptomoedas, com impacto potencial global.
21 de Abril, 2026

O laboratório de investigação da Kaspersky identificou uma nova variante do trojan SparkCat, cerca de um ano após a sua deteção inicial e remoção das lojas oficiais de aplicações. Desta vez, o malware surge com técnicas mais sofisticadas e volta a infiltrar-se tanto na App Store como no Google Play, oculto em aplicações que aparentam ser legítimas.

O SparkCat esconde-se em aplicações comuns, como plataformas de mensagens empresariais e serviços de entrega de refeições, com o objetivo de aceder a dados sensíveis armazenados nos dispositivos. Segundo os investigadores, foram identificadas duas aplicações infetadas na App Store e uma no Google Play, entretanto já corrigidas após notificação às respetivas plataformas.

O funcionamento do malware mantém uma lógica semelhante à versão anterior, mas com melhorias técnicas relevantes. O trojan solicita permissões para aceder à galeria de imagens do utilizador e utiliza tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres para analisar o conteúdo das fotografias. O objetivo é identificar capturas de ecrã que contenham frases de recuperação de carteiras de criptomoedas, permitindo aos atacantes obter acesso aos ativos digitais.

No caso da variante para Android, a pesquisa de palavras-chave foca-se em idiomas como japonês, coreano e chinês, o que indica uma orientação inicial para utilizadores asiáticos. Ainda assim, a versão para iOS apresenta um alcance potencial mais alargado. Ao procurar frases mnemónicas em inglês, a variante para iOS pode afetar utilizadores em qualquer região, incluindo mercados europeus.

A análise técnica revela também um aumento significativo da complexidade do código. A nova versão integra múltiplas camadas de ofuscação, incluindo virtualização de código e utilização de linguagens cross-platform, práticas pouco comuns em malware móvel. Estas abordagens dificultam a deteção durante os processos de revisão das lojas oficiais e aumentam a resistência à análise por parte de especialistas.

Para além da distribuição através das lojas oficiais, a Kaspersky identificou a presença do malware em fontes de terceiros. Algumas destas páginas simulam a interface da App Store quando acedidas a partir de dispositivos iOS, criando um risco adicional para utilizadores menos atentos.

Os especialistas da empresa sublinham que a evolução contínua do SparkCat demonstra um nível elevado de competência técnica por parte dos atacantes, bem como uma adaptação constante às medidas de segurança implementadas pelas plataformas móveis.

A Kaspersky alerta para a necessidade de reforçar práticas de segurança em dispositivos móveis, incluindo o uso de soluções de proteção e maior cautela na gestão de dados sensíveis, como credenciais e informação financeira. A ameaça encontra-se atualmente identificada pelos sistemas da empresa com classificações específicas para Android e iOS, permitindo a sua deteção em ambientes protegidos.

Opinião