O Governo prepara a nomeação de Manuel Dias para o cargo de Chief Technology Officer (CTO) do Estado, segundo informações avançadas pelo ECO, que o Digital Inside confirmou junto de fontes próximas do governo. A função, inédita na administração pública portuguesa, está integrada na criação da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE), entidade que substitui a anterior Agência para a Modernização Administrativa (AMA).
De acordo com fontes do Digital Inside, a escolha recaiu sobre o ex-diretor nacional de tecnologia da Microsoft Portugal, que terminou funções na empresa no final de setembro, após 15 anos de carreira ligados ao setor tecnológico.
Manuel Dias é licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico e mestre em Sistemas de Informação pelo ISEG. Iniciou a carreira na EFACEC, passou pela OutSystems e ingressou na Microsoft em 2011, inicialmente como especialista em dados e inteligência artificial. Nos últimos anos destacou-se na promoção da adoção de soluções de inteligência artificial em Portugal, sendo considerado um dos principais impulsionadores desta área no mercado nacional.
Ao longo da sua atividade na Microsoft, esteve próximo de diversos projetos do setor público, apoiando iniciativas que visavam tornar os serviços mais ágeis e eficientes. O seu conhecimento das necessidades tecnológicas da administração pública é apontado como uma das razões para a escolha para este novo cargo.
Enquanto futuro presidente da ARTE, cargo que acumulará enquanto CTO do Estado, Manuel Dias terá como missão definir e executar a estratégia tecnológica do Estado, num momento em que os desafios de digitalização se tornam mais complexos.
Em dezembro de 2024, numa intervenção no programa Coffee Break do Digital Inside, destacou exemplos de utilização da inteligência artificial em entidades como o Instituto dos Registos e Notariado (IRN) e a própria AMA, sublinhando que, apesar dos resultados positivos, ainda existe a necessidade de escalar soluções tecnológicas no setor público. Segundo o próprio, um dos entraves é a falta de comunicação e visibilidade relativamente aos projetos já em curso.
O tema da literacia digital foi também apontado como crítico. Embora Portugal tenha registado progressos em formação técnica e académica, o ritmo acelerado da inovação tecnológica cria um desfasamento entre competências disponíveis e exigências do mercado. Iniciativas de capacitação, como a AI Business School, desenvolvidas em colaboração com universidades e entidades públicas, procuram responder a esta lacuna.
Cloud e soberania dos dados
Outro desafio mencionado por Manuel Dias prende-se com a adoção da cloud no setor público, que tem sido mais lenta do que no setor privado. Entre os fatores que justificam esta diferença estão as preocupações com soberania e segurança dos dados. No entanto, nos últimos anos, têm sido estabelecidas parcerias locais e obtidas certificações que procuram garantir conformidade com normas rigorosas de proteção da informação.
Com a nomeação de um CTO do Estado, o Governo procura reforçar a coordenação da transformação digital na administração pública, apostando numa liderança dedicada à definição de prioridades e à integração de novas tecnologias nos serviços públicos.






