Entre 22 de janeiro e 3 de março deste ano, a empresa de análise Researchscape e o fornecedor de tecnologia Cloudera realizaram um inquérito conjunto a nível mundial dirigido a 1.270 responsáveis de tecnologias da informação. O estudo abrangeu organizações com mais de 1.000 funcionários nas regiões da América, Ásia-Pacífico e Europa, Médio Oriente e África. O principal objetivo desta investigação foi avaliar o nível de preparação das grandes corporações para implementar projetos de IA com resultados tangíveis.
Os resultados do relatório revelam uma clara discrepância entre a perceção corporativa e a realidade técnica. Embora 85% dos gestores inquiridos afirmem dispor de uma estratégia de dados consolidada, 79% dos responsáveis reconhecem que os seus projetos de IA estão a ser travados por problemas de acesso, preparação e gestão da informação em ambientes distribuídos.
Esta deficiência no controlo integral dos dados surge como um dos maiores obstáculos à adoção efetiva destas ferramentas. A nível global, apenas 18% das empresas mantêm os seus dados completamente sob controlo. Uma proporção que sobe para 26% no mercado europeu e nas suas regiões adjacentes. A situação revela-se particularmente notória quando analisada por áreas de atividade. Em setores que lidam com informação crítica, a governança total dos dados mal chega aos 9% no setor financeiro, 13% na saúde e 20% nas administrações públicas.
A falta de uma gestão centralizada e de normas claras expõe as entidades ao risco de tomar decisões incorretas, prejudicando a eficácia dos seus desenvolvimentos algorítmicos. Os profissionais consultados identificam três barreiras principais que impedem uma utilização adequada dos recursos informativos. A maior dificuldade reside na complexidade dos requisitos de acesso aos dados, apontada por 47% dos inquiridos, seguida pela falta de visibilidade sobre a sua localização, com 44%, e pela ausência de uma cultura de formação entre os quadros, com 41%.
Com a incorporação gradual da IA nos processos de negócio quotidianos, o pré-tratamento dos dados surge como um elemento diferenciador fundamental face à concorrência, relegando outros componentes da arquitetura para um plano secundário. Apesar de 84% dos diretores de tecnologia confiarem na exatidão das suas bases de dados, apenas 30% das organizações têm as suas fontes de informação totalmente integradas nos sistemas corporativos. Este grau de maturidade também varia consideravelmente consoante o setor. Enquanto nas telecomunicações 54% dos responsáveis gozam de uma visibilidade completa sobre os seus ativos de informação, nos serviços financeiros e no setor público o número desce para 30%.
O desempenho da infraestrutura subjacente constitui outra peça fundamental deste ecossistema. 73% dos profissionais admitem que a capacidade das suas plataformas teve um impacto negativo nas suas iniciativas de inteligência artificial. Em resposta a este desafio técnico, nove em cada dez gestores da área europeia prevêem aumentar o seu orçamento destinado a serviços na nuvem, ultrapassando amplamente a média global, que se situa nos 65%.
Neste contexto, os representantes para Espanha e Portugal da empresa promotora do estudo salientam que a viabilidade e o valor real da inteligência artificial dependem diretamente da preparação prévia dos dados. A direção da empresa salienta que, para além da ambição empresarial, é imprescindível que as empresas sejam capazes de aceder, gerir e unificar a sua informação de forma consistente, conseguindo assim implementar projetos tecnológicos que sejam fiáveis, escaláveis e sustentáveis a longo prazo.

